O melhor professor do mundo

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“O dia em que os professores forem plenamente valorizados e reconhecidos teremos, enfim, os caminhos da prosperidade abertos para nosso país.” (JLAM)

A capa da revista trazia o título “O melhor professor do mundo” e todos queriam entender o que fazia daquele mestre alguém tão distinto, afinal de contas, cada um dos milhões de alunos do país tinha em sua mente e trazia no coração o seu professor especial, aquele a quem tanto consideravam, com quem tanto tinham aprendido.

A edição daquela publicação logo se esgotou nas bancas e os alunos ávidos por saber quem era e porque motivos havia sido considerado o melhor professor do mundo, logo estavam lendo a matéria.

Dizia a publicação que aquele professor era revolucionário. Suas aulas eram assistidas por milhões de pessoas. Suas palavras estavam publicadas em diversos livros e manuais. Apresentações que realizara e que tinham sido gravadas estavam disponíveis em muitas línguas.

As declarações dos alunos que tiveram ou tinham aula com ele eram sempre no sentido de exaltar sua figura ímpar, que carregava em cada gesto, olhar e palavra algum tipo de ensinamento.

Aquele mestre, de idade avançada, cabelos brancos ralos, com o rosto marcado pelo passar do tempo, desde o princípio de sua atuação como professor tivera sempre em mente o que significava atuar na educação. Sabia que os exemplos falam tanto quanto as palavras, por vezes até superando os vocábulos no imaginário dos alunos.

Entendera desde sempre que em educação os fins são sempre muito maiores do que qualquer meio ou personagem que participa do caminho.

Deixara para trás a vaidade pessoal. Não queria ser o melhor professor do mundo, seu desejo era apenas ensinar.

Provocava a imaginação de seus alunos. Estimulava o tempo todo com apoio de grandes pensadores que iluminavam sua trilha pessoal. Praticava aquilo que acreditava e, por isso, tinha o diálogo como principal ferramenta de trabalho. Não entregava respostas prontas. Trazia livros e mais livros para seus alunos e os desafiava a entender conceitos da ciência e da vida.

O velho mestre era também um eterno aprendiz e, por isso, desde o surgimento das novas tecnologias, se pôs a examiná-las com grande curiosidade para que depois as colocasse a seu dispor e também de seus alunos em suas aulas.

Mesclava modernidade com métodos consagrados pelo tempo. Procurava desenvolver o indivíduo, trazendo a tona todas as suas potencialidades mas, ao mesmo tempo, fazia com que aprendessem o valor do trabalho em grupo, em que o suor coletivo leva todos a grandes vitórias.

Reconhecia suas limitações. Sabia das derrotas que tivera e tinha ao longo do caminho. Aprendera desde cedo que ensinamos o cérebro e também o coração. Dizia sempre que “professores salvam vidas”, o que muita gente não entendia, pois associava a luta pela vida aos médicos e enfermeiras. Ele então explicava que ao ensinar as letras, as ciências, a matemática e a humanidade, os professores davam a todos e a cada um os elementos para que pudessem viver neste mundo e, com isso, se mostrarem aptos a todos os desafios que se colocarem em seus caminhos, inclusive aqueles relacionados diretamente a preservação da vida.

Dizia a todos que em educação não há como ficar impune, ou seja, que ao entrar neste magnífico templo do conhecimento, deveríamos desde sempre ter a consciência do quanto tudo aquilo iria mudar nossas vidas e que, a partir de então, passaríamos a ter uma grande responsabilidade, ou seja, a de fazer com que todos os saberes adquiridos se transformassem em algo belo e bom para nossos futuros e toda a coletividade.

Aquele professor, mesmo tendo passado tantos anos desde o início de suas ações em educação, continuava amando profundamente o que fazia e facilmente expressava isso a todos os seus alunos. Seu belo sorriso, face terna, calma no agir, palavras sábias sempre sendo proferidas, denunciavam o quanto tudo aquilo era importante para ele, senão imprescindível.

Reconhecia que a sociedade, infelizmente, não percebia o valor do trabalho dos professores, mas dizia que isso não podia desanimar ninguém, que a luta deveria continuar e que no final das contas, o brilho no olhar dos alunos formados compensava as durezas da vida profissional a que todos estavam sujeitos.

Ao ler a matéria da revista, os alunos logo perceberam que também tinham professores que carregavam aquelas características, senão todas, ao menos parte delas e que em sendo assim, eram igualmente inspiradores.

A edição daquela publicação havia sido colocada nas bancas justamente no dia 15 de outubro, data em que, no Brasil, se celebra o dia do professor. Em sendo assim, muitos destes jovens leitores, foram para suas escolas, com a reprodução da capa da revista e, em lugar da imagem do “melhor professor do mundo”, colaram a foto de seus mestres preferidos, saudando-os por tudo o que fizeram e continuavam a fazer por eles e pelo mundo. Parabéns professores!

Por João Luís de Almeida Machado

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