Quando os projetos sociais se tornam cabos eleitorais poderosos que decidem eleições

Bolsa Voto

O Brasil nos últimos anos conseguiu elevar considerável contingente de sua população a uma melhor condição sócio-econômica graças a projetos sociais que tiveram início no final da década de 1990.

Ótimo se isso tivesse efetivado a transição definitiva de todas estas pessoas provendo não apenas recursos financeiros que permitiram a elas aumentar o seu poder de compra e entrada no mercado de consumo interno brasileiro mas, também, dado a elas condições de se suster por conta própria, sem a dependência do dinheiro a elas repassado pelo governo em projetos como o bolsa-família.

O pão está garantido se os governantes assim quiserem e não por conta e obra do esforço, estudo, aperfeiçoamento do cidadão, dando a ele acesso a formações que lhe permita se tornar profissional em alguma área premente de atuação humana, seja para trabalhar na indústria, na agricultura, na pecuária, no extrativismo, no comércio ou nos serviços.

Ao alijar o cidadão daquilo que ele mais carece de fato, ou seja, dos meios para que se torne autônomo e tenha real acesso a cidadania e não apenas ao consumo, a ação se mostra incompleta e oportunista, direcionada a fins escusos e não ao que deveria se propor.

Não se trata, pelo que se percebe, de agir para que este cidadão atinja a tão sonhada altivez, que lhe garanta pela alfabetização o acesso as letras e ao saber, ou então dar-lhe o conhecimento da técnica que lhe permita o trabalho mais qualificado, ações que lhe permitam remuneração justa e adequada.

Ao se oferecer o recurso financeiro que lhe permite comprar o que precisa para viver sem lhe oportunizar a formação ou, ao menos, aos seus descendentes os meios para superar de fato a pobreza, causando dependência do dinheiro governamental como favor que o sustenta em troca do apoio em pleitos eleitorais, sentimos o quanto são capengas as ações sociais realizadas pelos políticos que comandam a nação.

As tais bolsas sociais não libertam no modelo assistencialista que se estabeleceu, pelo contrário, oprimem ainda mais e mantém no cativeiro aqueles que a recebem sem senso crítico e formação que lhes permita entender o quanto isso é a eles nocivo.

Reitero o que já disse anteriormente, não sou contra nenhum programa social que ajude a população brasileira a viver melhor, ter comida na mesa, ser capaz de comprar roupas, ter alguma dignidade. O que não é admissível é que isso não seja acompanhado de ações de valorização do indivíduo, capacitando-o para o mercado de trabalho, para que nele ingresse e ganhe por seu próprio trabalho, com o máximo de dignidade possível, valorizado por seu preparo, o pão nosso de cada dia.

Enquanto as ações sociais assistencialistas continuarem sendo usadas para fins eleitoreiros sem que o benefício real chegue ao cidadão humilde que carece de tudo, mas principalmente, de oportunidades de trabalho por falta de qualificação, estaremos vivenciando verdadeiro estelionato eleitoral que tende a se perpetuar já que acabar com a pobreza como se apregoa em Brasília acabaria com a fonte maior dos votos que elegem e dão continuidade aos projetos de alguns em detrimento das necessidades reais da maioria…

E, enquanto isso, o dinheiro público se esvai, a corrupção grassa, as denúncias são refutadas ainda que existam provas e mais provas, a reforma fiscal não ocorre, o Brasil continua mal na educação, na saúde, na segurança pública…

Aonde vamos parar? Desse jeito, só Deus sabe e nem ele deve estar satisfeito com o rumo das coisas…

Enquanto alguns se beneficiarem enquanto a maioria padece não estaremos falando de um estado de direito democrático estabelecido ou de governos legítimos…

Por João Luís de Almeida Machado

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