O Jogo dos 7 erros: Alemanha 7 x 1 Brasil (Copa do Mundo de 2014/Brasil)

Perder faz parte do jogo. Perder por 7×1 é uma possibilidade entre tantas existentes num jogo de futebol. Mas ser goleado em casa numa semifinal de Copa do Mundo apesar do discurso da comissão técnica e jogadores, ensaiado como as jogadas que não vimos no campo deveriam ter sido, dizer que perder por 1 ou por 7 tem o mesmo sabor amargo da desclassificação, é humilhante. Sorte que não foi para a Argentina e sim para a Alemanha, tendo em vista que não esperavam placar tão elástico e foram polidos, educados e até mesmo misericordiosos ao final do jogo, quase chegando a pedir desculpas pelo massacre…

Mas, como procede, ao final, cabe verificar motivos e espólio de tão acachapante derrota. Vamos então ao nosso Jogo dos 7 erros:

1- Jogar contra um time forte, entrosado, com jogadores de grande qualidade técnica sem 2 de seus principais atletas (Thiago Silva e Neymar) de peito aberto, ou seja, sem se defender, encarando a luta como se do lado de lá tivéssemos pela frente algum nanico do futebol mundial foi suicídio. Erro crasso de Felipão foi não proteger a defesa, armar meio de campo mais compacto (com 3 volantes e Oscar mais a frente). Não é demérito algum reconhecer a força do oponente e se armar para contra-atacar. A soberba foi nosso primeiro pecado mortal, afinal somos o Brasil, o país do futebol, 5 vezes campeão mundial, jogando em casa…

2- Ao escalar uma seleção se espera que os melhores atletas estejam em campo. Aqueles que não passam por um bom momento tem que ir para o banco. Fred fez uma Copa ruim, prejudicado pela falta de articulação entre o meio e o ataque, mas se movimentando pouco, finalizando raras vezes a gol. Hulk também não foi bem e as mudanças poderiam ter ocorrido antes do jogo contra a Alemanha para testar e dar confiança a outros jogadores.

3- Felipão deveria agir de forma menos arrogante e reconhecer seus erros. Dizer que o time teve um apagão e que este foi o motivo para tomarmos 5 gols somente no primeiro tempo demonstra que falta humildade ao técnico.

4- “Tudo deu certo para o adversário e para nós, por outro lado, tudo deu errado”. Este tipo de justificativa não cabe mais no futebol ou em qualquer atividade profissional. A Alemanha tem méritos, se preparou, criou uma base de atletas, perdeu torneios, saiu de cabeça erguida, manteve o treinador e chegou ao Brasil madura, pronta para avançar no torneio até a final. Não é sorte, é trabalho. Nós continuamos agindo de forma pouco profissional, contando com o talento, investindo pouco em continuidade, renovando somente quando não tem mais como negar os frutos e a necessidade de inovar e, acima de tudo, errando sem querer admitir nossos erros…

5- Numa mensagem do Twitter os alemães postaram que se o Brasil tem Neymar, a Argentina Messi e Portugal conta com Cristiano Ronaldo, eles têm um time. O sentido de equipe, o jogo coletivo, com espaço para que as individualidades surjam e não que sejam o fator decisivo é diferencial poderoso dos alemães. Contam com grandes jogadores, mas prevalece o sentido coletivo da equipe germânica.

6- Manter posições conforme treinado e escalado é de suma importância. Se o time toma gols e de repente bate o pânico geral com zagueiro jogando de meia e lateral de centroavante é sinal de que falta esta composição, organização e estrutura básica o que pode acarretar em resultado ainda pior, como de fato ocorreu no jogo com a Alemanha. Os jogadores não podem resolver por conta própria, não há super-heróis…

7- O futebol brasileiro precisa atualizar seu calendário, profissionalizar a gestão, acompanhar muito de perto o que ocorre nos principais torneios do mundo, estimular o crescimento e a gestão qualificada dos clubes. Somente assim teremos condições de manter atletas, preparar novas gerações de craques, ter técnicos atualizados e capacitados, estádios cheios…

Como foi 7×1, vale um contraponto:

1- Temos uma geração de atletas talentosos que provou qualidade e vamos trabalhar com eles e com novos jogadores que surgirem para um futuro mais promissor. Não há como negar a qualidade de futebolistas como David Luiz, Thiago Silva, Oscar, Neymar e alguns outros atletas que estiveram em ação pela Seleção na Copa de 2014.

Obs. Vale também lembrar que futebol se ganha com espírito de equipe, treinamento, jogo coletivo, profissionalismo, respeito aos adversários e que, além de tudo isso, é preciso controle emocional! Saber perder é igualmente uma necessidade.

Por João Luís de Almeida Machado

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