Educação significativa

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Não importa a plataforma, livros em papel ou e-books, a leitura é uma ação imprescindível, mas tem que ser significativa, crítica, analítica para que reverta em benefício para os leitores.
  • Mesmo com todos os conhecimentos científicos sobre a aquisição da leitura e escrita desenvolvidos nos últimos 30 anos, a escola ainda insiste num foco equivocado: ensina a língua e não as práticas sociais vinculadas a ela. Ou seja, além de não conseguir dar sentido ao ato de ler e escrever, despertando o interesse do estudante, cobra nas avaliações o que não foi transmitido em sala de aula. (As pessoas tem que descobrir que perdem tempo quando não leem, entrevista de Délia Lerner ao jornal O Estado de São Paulo).

Educação significativa para o aluno, que nele desperte interesse, que motive a aprendizagem e, principalmente que o faça perceber-se como ser ativo, representativo, crítico e criativo no contexto em que vive. É isso que perseguimos enquanto educadores e que, ano após ano, experiências variadas sendo aplicadas aos grupos com os quais trabalhamos e escolas nas quais atuamos, ainda não conseguimos atingir de forma perene, segura, firme e coletiva. 

Há experiências particulares bem sucedidas desenvolvidas por educadores no Brasil e no mundo, e estamos vivendo um tempo abençoado pelas ferramentas da tecnologia através das quais é possível socializar essas realizações. No entanto, mesmo quando essas bem aventuradas experiências caem na rede, quantos conseguem realmente ler, ter acesso as mesmas, ou ainda, aplicar e utilizar esses frutos positivos da experiência alheia?

E onde falhamos mais grotescamente? Justamente nos pilares essenciais de qualquer projeto educacional que assim queira ser reconhecido e chamado, ou seja, no ensino da leitura e da escrita. É isso o que ressalta a educadora argentina Délia Lerner, especialista da Universidade de Buenos Aires e consultora em educação para países e organizações privadas.

No Brasil os índices são alarmantes, ou seja, lê-se e escreve-se muito pouco (e mal) e na escola, as atividades de leitura e escrita ainda utilizam técnicas rudimentares, da escola tradicional, sem que se enseje entre crianças, adolescentes, jovens e adultos em processo educacional um real interesse e disposição para uma leitura e produção escrita engajada, de qualidade, crítica e criativa.

O que fazer? A professora Délia Lerner dá, em sua entrevista para o Estado de São Paulo, duas imprescindíveis orientações, a saber:

  • Os professores precisam ler, com grande freqüência, livros de qualidade para seus alunos em sala de aula e, na esteira disso, pedir e recomendar novas leituras em casa acompanhadas de produções sobre o que foi aprendido, reconhecido, identificado com a ação.

  • O incentivo a leitura não deve ser atribuição exclusiva das escolas e dos professores. Outras instituições, como a família e organizações públicas ou privadas, também devem se engajar em campanhas e atividades que despertem o interesse pela leitura.

Eu acrescentaria que, além disso, se criassem campanhas e projetos de leitura e produção realmente ligados ao cotidiano das comunidades e de seus integrantes e que se instituíssem horas de leitura e escrita nas grades escolares e também no âmbito doméstico… Que tal pensar mais sobre o tema?

Por João Luís Almeida Machado

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