Sem Limites [Limitless, EUA/2011]

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Utilizar toda a capacidade do cérebro humano é um grande sonho. Utilizamos, segundo especialistas, entre 10 e 20% de nossa capacidade cerebral. É certo que, de acordo com os estudiosos do segmento, os diferentes setores da mente humana são sempre, em algum momento, utilizados, mas não conseguimos articular toda a nossa força e potencial ao mesmo tempo e de modo continuado.
Criar drogas que permitam aos seres humanos extrapolar sua condição fisiológica básica tem sido uma das metas da indústria farmacológica. Algumas destas composições são utilizadas sob rígido controle médico e farmacêutico e, somente são lançadas no mercado após muitos testes, que se prolongam por anos.
Um dos mais famosos casos de drogas que visam dar ao homem um desempenho superior ao que seu corpo naturalmente atinge é o Viagra. A pílula azul, disseminada pelo mundo todo, aumenta a capacidade sexual dos homens e lhes permite prolongar o prazer associado ao encontro íntimo com sua parceira.
Há contrapartidas ou contra-indicações? Certamente que sim. Em todos os casos de medicamentos há possibilidades de rejeição ou ataque a outros órgãos e sistemas aos quais as drogas não estão diretamente relacionadas. Estas situações são indicadas nas bulas dos remédios, mas como a maioria das pessoas não lê tal documento, acabam sofrendo as consequências sem ter uma clara compreensão dos motivos, especialmente porque tais repercussões podem não acontecer de imediato e, sim, em dias, semanas, meses ou anos vindouros…
Mas, paremos para pensar no que ocorreria se fosse criada uma droga para exponenciar a capacidade cerebral humana a ponto de nos permitir usar 100% de nossa mente. Pois esta é a premissa do filme “Sem Limites”, do diretor Neil Burger, estrelado por Bradley Cooper (em ascensão profissional depois do grande sucesso “Se beber não case”) e pelo veterano e premiado astro Robert De Niro.

 Um jovem escritor que não consegue colocar no papel o livro que foi encomendado e continuamente atrasa este compromisso. Em sua vida social é igualmente fracassado, sendo largado pela namorada com quem vive há algum tempo por conta de sua inércia. Vindo de um casamento desfeito e sem perspectivas de correção de rumo. Esse é Eddie Morra (Bradley Cooper), que no meio de seu caminho de insucessos se encontra com o ex-cunhado, outro perdedor nato, sempre ligado a drogas e confusões. Este acaso faz com que ele seja presenteado com uma amostra de pílulas milagrosas que ainda não foram lançadas no mercado pela empresa farmacêutica a qual seu interlocutor está associado.
Instado pelo ex-cunhado a provar tal droga que poderia lhe trazer o “céu”, o fracassado escritor resolve ao menos tentar. E ao experimentar o “medicamento”, passa a ter uma experiência fenomenal, que lhe concede uma visão de mundo totalmente exponenciada, capaz de lhe fazer aprender as regras do mercado financeiro e seus atalhos, novas línguas, como ser bem sucedido nos relacionamentos, possibilidades maravilhosas para finalizar seu livro e tantos outro saberes…
Seu cérebro passa a operar no limite da velocidade e condição de processamento, como um autêntico computador de última geração, levando o ex-fracassado a ser um grande sucesso. Da noite para o dia o nome de Eddie Morra ascende no mercado financeiro e ele consegue amealhar alguns milhões de dólares em poucos dias, terminar rapidamente seu livro e tornando-o uma obra-prima, conquistando todas as pessoas com as quais se relaciona, encantando sua ex-namorada e trazendo-a de volta para sua vida.
Mas há os lapsos, momentos em que Eddie realiza as ações de forma tão rápida quanto inconsequente, sem saber ao certo por onde passou e o que fez ao final do período. Há também outras consequências duras sentidas pelo organismo: a ausência da droga causa náuseas, fraqueza, perda parcial de memória e exaustão física. Ocorre também a dependência e sensação de que, sem tal droga, não será possível continuar, como uma autêntica abstinência…
Trata-se apenas de um filme, mas o quanto de realidade há nesta história? Será que a indústria farmacêutica não está perseguindo tal droga? Caso ela surja, ainda que não nos leve a utilizar 100% de nossa capacidade cerebral, mesmo que acrescente 10, 20 ou 30% ao nosso repertório, que consequências isso traria? Seria possível verter tal crescimento cerebral para mudar o mundo para melhor ou apareceriam nossas piores características?
A questão mais séria é, no entanto, até quando iremos tentar ser o que não somos naturalmente? Crescer, melhorar, superar doenças, ser mais criativo, ter mais saúde, desenvolver-se profissionalmente, saber mais e tantas outras demandas humanas são igualmente naturais as pessoas, mas há possibilidades de atingir tudo isso sem que nossos corpos sejam intoxicados por tanta e tão poderosa química, não é mesmo? Até quando e o quanto será possível aguentar?
Confira o filme, tire suas conclusões, concorde ou discorde, mas participe desta importante discussão, dela depende a saúde física, mental e social de muita gente, inclusive a sua e em especial a dos nossos herdeiros…
Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras
Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte: Aprendendo com o Cinema” 

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