A internet está mudando a educação?

ImageNão há como negar, a introdução da internet na educação está promovendo de forma bastante regular e acentuada uma série de modificações nos hábitos dos estudantes. Este movimento ocorre em todos os continentes, em diferente escala e velocidade, sempre de acordo com a oferta de recursos que permitam estas mudanças. Neste sentido, os países mais ricos e desenvolvidos, como os Estados Unidos (assim como as nações europeias, o Japão, a China e a Coréia do Sul), estão na dianteira deste processo, inclusive quanto ao mapeamento deste fenômeno.

Dados disponibilizados por consultorias especializadas dos Estados Unidos nos informam que 90% das faculdades daquele país estão usando instrumentos de redes sociais como ferramenta nos cursos que oferecem.

Corroborando esta adesão das instituições de ensino superior norte-americanas, a adesão dos estudantes está crescendo a cada dia e já há aproximadamente seis milhões de estudantes fazendo pelo menos um curso ou disciplina de seu currículo pela internet, através de ambientes virtuais de aprendizagem. Isso equivale a aproximadamente 32% dos universitários daquele país.

Entre as instituições que estão se utilizando das ferramentas virtuais e mídias sociais para projetos educacionais podem ser citadas: Harvard, New York University, Indiana University, Texas University, Califórnia State University e a University of Georgia, entre outras.

O uso da rede mundial de computadores – seja em cursos online ou apenas como complementação de atividades dos cursos presenciais – está levando os professores universitários dos Estados Unidos a organizar tarefas a serem resolvidas por meio de instrumentos de redes sociais. Os dados referentes a isso revelam que 20% das instituições registram o uso destas lições de casa virtuais como parte regular de suas ações educacionais.

Os vídeos online também estão se disseminando pelos cursos superiores americanos de forma surpreendente e, de certo modo, avassaladora. Tendo em vista o perfil das novas gerações de estudantes americanos, multitarefeiros e muito ligados aos aspectos e recursos audiovisuais, é possível entender porque 8 em cada 10 universidades americanas registram o uso regular de vídeos a partir da web.

Os hábitos de pesquisa dos estudantes da terra do Tio Sam não se restringem à busca de vídeos na web. A maioria esmagadora de alunos das universidades locais, chegando a 93% deles, preferem as pesquisas online e colocam a Wikipedia como sua principal fonte e referência de levantamentos para a realização de trabalhos, tarefas e pesquisas. Muitos deles (83%) alegam que nos horários em que podem fazer estes deveres escolares as bibliotecas já não estão mais abertas.

Tendo em vista estes dados, até mesmo os departamentos responsáveis pela admissão e inscrição dos alunos nas universidades dos Estados Unidos estão também se utilizando dos instrumentos de mídia social na web (como as redes sociais mais populares, em especial o Facebook e o Twitter, utilizado por 61% das instituições; videoblogging, usado por 48% destas escolas; blogs, regularmente utilizados por cerca de 41% das universidades; Podcasts já são meios de comunicação para 16%; Wikis fazem parte do cotidiano de 10% deste universo educacional).

Ainda assim é válido registrar que entre as lideranças acadêmicas (gestores, coordenadores, professores) há ressalvas a estas tecnologias. Cerca de um terço dos profissionais da área consideram a aprendizagem virtual inferior em qualidade e resultados quando comparada ao trabalho presencial, realizado em sala de aula, tendo como base o contato direto entre professor e alunos e as interações fomentadas a partir destes encontros.

As referências trazidas a partir daquilo que ocorre nos Estados Unidos de certo modo nos permitem entender, guardadas as devidas proporções, o que acontece em outros países, entre os quais o Brasil.

A despeito do atendimento às escolas, nos diferentes níveis educacionais não ter a mesma abrangência, alcance e qualidade (quanto a equipamentos, redes, velocidade de conexão…) percebido nos Estados Unidos, é igualmente perceptível à adesão dos estudantes e instituições de ensino no Brasil. A utilização de vídeos, as pesquisas online (com uso acentuado da Wikipedia), a prevalência dos recursos digitais sobre os livros (entre outros recursos) nos deveres escolares, a utilização das redes sociais para projetos educacionais pelas escolas, a crescente quantidade de cursos pela web e adesão de estudantes, entre outras circunstâncias percebidas, é uma realidade também em terras brasileiras.

É preciso mapear este avanço para que comparações possam acontecer, mas de qualquer modo, além deste rastreamento e captação de dados, o mais importante é verificar como estes procedimentos estão ocorrendo em sala de aula, para que se estabeleçam práticas pedagogicamente inteligentes de utilização da web e de todas as suas ferramentas. Sempre pensando-as como mecanismos que reforçam as práticas pedagógicas em adição às metodologias e demais recursos já existentes. Só assim podem realmente se tornar úteis e valorosas.

Por João Luís de Almeida Machado

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