TV e Internet: Reinventando o jeito de assistir televisão

ImageAssistir novela, filme ou telejornal com hora marcada é coisa do passado. Cada vez mais cria-se uma nova televisão e, ao mesmo tempo, diferentes hábitos entre os espectadores. Se antigamente a novela das 8 (que sempre começava as 9 horas da noite) era uma preferência nacional, atualmente está deixando de ser. Não que as histórias tenham perdido interesse perante o público, os brasileiros continuam a apreciar uma trama bem amarrada, com personagens fortes e marcantes, cheia de reviravoltas. “Avenida Brasil”, por exemplo, foi sucesso de público e crítica e marcou a recente teledramaturgia nacional tanto quanto “Vale Tudo” ou “Roque Santeiro” o fizeram em décadas anteriores, para mencionar apenas algumas campeãs indiscutíveis de audiência.
O que mudou não foi o produto, que na sua essência continua muito parecido com o que já fazia da televisão brasileira um dos produtos culturais campeões de exportação. Mudaram os recursos disponíveis, como por exemplo, os próprios aparelhos de televisão, mais finos, com imagem em alta definição, recursos de áudio que tornam os ambientes praticamente salas de cinema, telas com tecnologias avançadas (LED, LCD, Plasma…), algumas TVs já contam com dispositivos 3D e, além disso, passaram também a permitir a gravação de programas, o acesso a internet e a possibilidade de voltar, pausar ou adiantar programas que estão sendo exibidos…
Não bastassem as modificações nos aparelhos de televisão, o advento e popularização dos canais por assinatura, como a SKY ou a NET, para ficar nos maiores distribuidores do Brasil, igualmente disponibilizou recursos que permitem assistir programas a qualquer momento. No início eram filmes em pay-per-view. Depois passaram a oferecer os recursos de gravação e armazenamento de programas, assinaturas de canais que transmitem eventos ao vivo (como jogos de futebol de todo o planeta ou torneios de lutas, como os MMAs).
Agora passaram também a disponibilizar autênticas “videolocadoras” ou “videotecas” como o NOW, da NET, que tem vasto cardápio de opções para serem assistidas a qualquer momento do dia, de programas gastronômicos a humorísticos, de documentários a desenhos animados, de filmes a reprises de eventos esportivos, de seriados a shows musicais, há um pouco de tudo para todos os gostos. Há muitos programas gratuitos e também aqueles que são pagos, normalmente os últimos lançamentos de filmes, por exemplo, que também estão chegando, quase ao mesmo tempo, nas locadoras próximas a casa do espectador.
Outra novidade incorporada ao cotidiano dos telespectadores que igualmente está modificando os hábitos de consumo nesta área são os programas distribuídos pela internet, através de serviços como o NetFlix ou o Crackle, o Telecine e o HBO GO. No primeiro caso, ou seja, em relação ao Netflix e serviços equivalentes, o cliente faz uma assinatura e tem acesso a uma ampla gama de filmes, documentários e shows disponíveis para serem assistidos no computador, tablet, smartphone ou na TV com acesso a internet. O Crackle, por sua vez, igualmente disponibiliza filmes para as mesmas plataformas só que não cobra pelos serviços. A diferença reside na quantidade de produções oferecidas e na atualização, muito regular nos serviços pagos e bastante lenta em serviços que não cobram mensalidades. O NetFlix cresceu tanto que atualmente já produz suas próprias séries nos Estados Unidos, lançou recentemente todos os episódios da série “House of Cards”, estrelada por Kevin Spacey, vencedor do Oscar de melhor ator pelo filme “Beleza Americana”. Serviços como o Telecine e o HBO GO para tablets ou computadores dependem de assinatura de distribuidores do conteúdo destas redes em TVs pagas, como a SKY ou a NET.
Estas modificações permitem que o telespectador assista o que quiser, a hora que quiser, com interrupções ou sem, podendo voltar aos trechos em que havia parado horas ou dias antes.
Outra mudança percebida pelos especialistas em tecnologia e televisão refere-se ao fato de que as pessoas, por conta do efeito YouTube, tem dado preferência a programas curtos, o que explica o sucesso de séries como “Two and a Half Man”, “The Big Bang Theory”, “Glee” ou “The Walking Dead”. Explica-se esta predileção por vídeos curtos também por conta dos compromissos e da pressa das pessoas, que estão menos predispostas a ficar diante da televisão por 2 horas, tempo médio de um filme apresentado nos cinemas, ainda mais se diante delas são passados comerciais nos intervalos. A própria publicidade na televisão está tendo que ser repensada tendo em vista todas estas modificações, mas este é outro tema, que não cabe neste artigo…
De qualquer modo, a televisão está sendo reinventada e, neste processo, reconstrói-se também o espectador, cada vez mais afeito a programas curtos, a possibilidade de ver televisão na hora que quiser, ao acesso a programas pelo computador e, até, a necessidade de se mensurar, como começaram a fazer as TVs brasileiras, o quanto de sua audiência agora vê os programas em tablets, smartphones ou laptops… E você, como está vendo TV atualmente?
Por João Luís de Almeida Machado

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