Como manter profissionais de talento em sua equipe?

ImageMais de 60% dos executivos responsáveis por grandes empresas estão preocupados com a retenção de talentos em suas empresas. O que fazer? Como lidar com esta questão?

Ter talento significa, em linguagem acessível a todos, conseguir desequilibrar jogos e obter resultados positivos com grande frequência para a equipe em que se joga. Jogadores, ou melhor, profissionais que tem qualificações a destacá-los neste sentido, ou seja, a de terem se tornado craques em suas posições, valem o esforço das empresas para que continuem a desfilar seus dotes com aquela camisa.

Pesquisa da Deloitte, publicada através do relatório Unified HCM and Talent Technology Survey 2011, ressalta que é grande a preocupação dos executivos quanto a manutenção de talentos. Trata-se de uma questão tão séria que, ainda em tempos de crise global, está inserida entre os 3 maiores desafios empresariais de acordo com os entrevistados para esta pesquisa.

Manter estes profissionais em uma empresa significa, certamente, valorizar seu trabalho. Para muitas pessoas isso só depende de dinheiro. Em muitos casos pode ser suficiente, mas a demanda dos talentos passa também pelo estímulo, reconhecimento e desafios presentes e futuros.

Aumento de salários, bonificações, crescimento na hierarquia e até mesmo participação nos lucros ou na diretoria de uma empresa valem muito e falam alto no mercado de trabalho. Nenhum profissional de ponta dispensa a remuneração cada vez maior por seus préstimos. Este contracheque mais polpudo no final do mês pode ser a diferença entre ficar ou não numa empresa. Se o concorrente está disposto a pagar mais pelos serviços deste “craque” que atualmente joga em seu time, isso irá pesar bastante na balança quando ele fizer a análise da proposta. O declarado “amor à camisa” que prevaleceu durante tantos anos perdeu espaço para o profissionalismo e a valorização no mercado de trabalho.

Agora, somente isto pode não ser suficiente. O profissional de ponta precisa se sentir bem na empresa. Na prática, para se atingir isso é preciso que tenha por parte de seus chefes a confiança e autonomia necessárias para implementar e realizar ações e projetos, contando com equipe de confiança a trabalhar com ele.

Este profissional sabe muito bem o tamanho de suas responsabilidades e, igualmente entende que será cobrado quanto a resultados, tendo em vista os investimentos e a confiança que tem de seus superiores. Neste sentido estes talentos reconhecem desde o início de suas atividades profissionais a importância de criar ambientes de trabalho que sejam pautados no respeito, na lealdade, no intercâmbio, no aperfeiçoamento permanente e em desafios para si mesmo e para as pessoas que com ele trabalham, lado a lado.

Ainda assim, o estímulo por parte dos superiores, mesmo em momentos delicados, precisa acontecer. A crítica procedente faz parte do caminho e os talentos reconhecem isso. Fundamentada em argumentos, dados, fatos e números, as críticas permitem que a pessoa refaça o mapa inicialmente pensado para a rota que está sendo trilhada. Neste sentido é importante que o talento tenha suficiente humildade para saber que nem sempre suas escolhas irão lhe fazer chegar aos melhores resultados.

Para que estes profissionais qualificados não deixem a empresa, trocando-a por alguma concorrente ou ainda abrindo seu próprio negócio é preciso que as regras do jogo, as perspectivas futuras da empresa e as chances de galgar melhores posições na hierarquia sejam sempre claras, ou seja, que o jogo seja franco e aberto.

É preciso também que as equipes sejam colaborativas e que todos entendam sua importância e responsabilidades quanto aos projetos em andamento e futuras realizações. O talento, neste sentido, precisa se entender como parte do time, valorizando os demais jogadores e fazendo-os se sentir a vontade com ele, sem estrelismos ou afetações típicas de quem se acha superior aos demais. A arrogância e a prepotência são venenos mortais na relação entre profissionais de uma mesma equipe.

Talentos existem, as pessoas sabem disso, reconhecem as qualidades destes profissionais assim como também sabem que estes craques podem beneficiar a todos. Jogar ao lado de Pelé, Messi, Michael Jordan torna muito mais fácil chegar a vitória, mas a bola em seus pés ou mãos só chega se o time todo se ajuda e assim o permite. Agora, para ter um craque, em que área for, em seu time, é preciso dar a ele condições para que se sinta bem, valorizado, desafiado e, em harmonia com todo o grupo.

Por João Luís de Almeida Machado

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