Quanto custa viver no Brasil?

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Em 2011 os brasileiros gastaram mais de 21 bilhões de reais em compras no exterior. Sinal dos tempos, estamos nos tornando uma referência importante para o comércio em cidades americanas como Nova York e Miami (principais destinos dos turistas brazucas em viagem de férias). Somente para os Estados Unidos viajaram aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros que, gastaram, em média, per capita, cerca de 5,8 mil dólares, atingindo um total de 8,7 bilhões de dólares gastos naquele país por nossos compatriotas. Não é a toa que o presidente Obama resolveu melhorar e agilizar o processo de vistos para brasileiros entrarem na terra do Tio Sam…
Olhando nos bastidores temos que pensar o seguinte… Se gastamos lá estamos deixando de comprar produtos e serviços por aqui e, isso constitui portanto uma sangria de divisas, migrando de nossos cofres e bancos para seus congêneres ianques. Não devemos aderir aquelas velhas bandeiras de outrora, desgastadas e sem sentido nesse mundo globalizado, como o “go home ianques”, mesmo porque nós é que estamos indo para lá e eles apenas fazendo o que devem, ou seja, tentando vender seus produtos e recompor sua combalida economia, vitimada pela crise que paira sobre o globo desde 2008.
A receita passa, necessariamente por averiguar as causas que fazem com que os brasileiros cruzem o Atlântico no sentido sul-norte para adquirir produtos nos Estados Unidos e deixem de comprar os mesmos itens ou equivalentes por aqui. E é nesse momento que surge a questão título deste texto: “Quanto custa ser brasileiro?”.
O custo Brasil é um dos grandes vilões da economia nacional há anos segundo os economistas e estudiosos e incide nos produtos vendidos aqui elevando seus valores em relação a itens iguais vendidos lá nos States em 30, 40, 50% ou até mais. O primeiro tópico a ser estudado e revisado é altíssima carga tributária do país. Em média pagamos 35% de impostos, ou seja, a cada 100 reais que a duras penas conseguimos ganhar com o suor de nosso trabalho, 35 reais ficam como encargos fiscais (Impostos de todas as naturezas, pagos direta ou indiretamente, seja o Imposto de Renda, por exemplo, ou as taxas que incidem sobre os produtos e elevam muito seu preço). Vejamos esse efeito na prática:
– Um automóvel de luxo que no Brasil custa cerca de 60 mil reais, nos Estados Unidos sai por 30 mil…
– Um Ipad da Apple, que por aqui é negociado por 2 mil reais, por lá pode ser comprado por 1,2 mil.
– Uma calça jeans vendida na terra do Obama por 48 reais é negociada na terra da Dilma por 160 reais.
São apenas amostragens da diferença brutal de preço entre três produtos de diferentes áreas e interesses, mas sobre eles (e todo o resto) não pesam apenas os tributos exagerados cobrados no país, há também o custo de manuseio, transporte, armazenamento e alfândega – ou seja de logística – que representa em relação a países como os EUA, um adicional de mais de 30% sobre o preço dos produtos vendidos por aqui.
As margens de lucro projetadas pelos negociantes locais também são inflacionadas quando comparadas com os comerciantes estrangeiros. Enquanto por lá existe um controle por vezes governamental e tantas outras pela própria competição acirrada que definem margens de lucratividade que ficam no máximo em torno dos 30%, por aqui ganhar menos do que 50% acaba fazendo com que estes empresários sejam vistos como trouxas por seus pares…
Não bastasse isso, o custo para o estabelecimento de um negócio – indo além dos tributos – está nas alturas. Os pontos de comércio, produção e vendas mais interessantes acrescido ao valor da mão de obra (encarecida pela alta taxação trabalhista e não por quanto ganham realmente os funcionários, muitas vezes trabalhando exaustivamente e ganhando menos do que deveriam) tornam os custos operacionais no Brasil muito altos e cada vez mais distantes da realidade dos consumidores. Alugar ou comprar um ponto comercial nas melhores localidades das grandes, médias ou pequenas cidades tem preços muito salgados…
Não bastasse isso, o consumidor ainda tem que enfrentar filas, trânsito e tem dificuldades para estacionar nas principais áreas de comércio – como os shopping centers ou as ruas de comércio popular – e isso acaba de vez com a paciência dos consumidores que optam, por conta dos custos, pelo menos aqueles que podem, por levar nossas divisas, o precioso dinheirinho suado dos brasileiros, para americanos, europeus, japoneses, paraguaios…
É preciso rever tudo isso e tornar mais possível o Custo Brasil, caso contrário, nossas economias vão sanear o buraco financeiro dos Estados Unidos e nós é que ficaremos com a conta…
Por João Luís de Almeida Machado

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