Steve Jobs em Stanford: Conectando os pontos

Steve Jobs, em seu já célebre discurso em Stanford, trabalhou três histórias relacionadas à sua vida, através das quais deu valiosas orientações aos formandos para quem falava como paraninfo. A primeira delas refere-se à questão de conectar os pontos. Para tanto, iniciou sua apresentação destacando,  quando era um bebê foi oferecido à adoção por sua mãe biológica. A única e primordial exigência dessa mãe era que seu filho fosse adotado por uma família em que os pais tivessem diplomas universitários e que se comprometessem com a educação futura de seu rebento.

A primeira família, cujo pai era advogado, na última hora acabou desistindo do recém-nascido Jobs, preterindo-o em favor de uma menina. Para sua sorte, logo apareceram novos pretendentes, que se prontificaram a dar-lhe um lar. Não preenchiam, porém os requisitos pré-estabelecidos pela mãe biológica, mas se comprometeram a encaminhar-lhe para uma universidade assim que tivesse idade para tal.

Jobs, portanto, relata seu início de vida bastante difícil, chamando a nossa atenção para duas evidentes rejeições. Apesar disso, superou as adversidades e veio a se tornar um dos mais importantes empreendedores da história recente. Claro que ninguém poderia prever o futuro da vida que começava a ser escrita naquele momento…

Quando fez 17 anos e completou o Ensino Médio (High School norte-americana), o jovem Steve matriculou-se numa universidade, paga a duras penas por seus pais adotivos, de origem humilde, que haviam poupado durante anos o seu dinheiro com o propósito de dar-lhe esta oportunidade. Depois de 6 meses em curso regular, desistiu dos estudos, que nunca iria completar (pelo menos até o momento em que escrevo estas linhas). Optou por fazer cursos livres, que estavam mais relacionados a seus interesses imediatos.

steve-jobs

Durante esse tempo, como ele mesmo diz em seu discurso, nem tudo foi tão belo e romântico como pode parecer. Tinha que dormir em colchões, no chão de dormitórios de colegas. Coletava garrafas de refrigerante retornáveis em troca de 5 centavos cada para ter dinheiro e conseguir comer. Caminhava cerca de 10 km todos os domingos em direção a um templo Hare Krishna onde conseguia uma boa refeição semanal. Depois que nos conta isso, Jobs arremata: “I loved it” (Eu amava isso).

Sua frase final nos coloca a par de como devemos valorizar e apreciar cada momento da vida: a derrota ou a vitória, a felicidade ou a tristeza ou apenas aquilo que nos é corriqueiro ou cotidiano, em tudo há valor, lirismo, beleza e possibilidades.

Entre os cursos que fez ao sair da grade curricular geral, estava o de caligrafia. Parecia não levar a nada, a lugar algum em termos do futuro do jovem Jobs. Foi, no entanto, nesse curso que ele aprendeu o valor da tipografia (a beleza das letras, as variações de tipos de fontes, tamanhos, espaçamento). Tudo o que, alguns anos depois, iria utilizar para revolucionar o mundo dos computadores. Com tal conhecimento em mãos, Steve Jobs foi capaz de criar as bases das interfaces gráficas nos equipamentos produzidos pela Apple na década de 1980 – ele cita o Macintosh, mas a partir deste equipamento, tal interface virou padrão e foi sendo melhorada cada vez mais em suas máquinas e também nos sistemas operacionais das concorrentes, como aquelas alimentadas pelo Windows, da Microsoft.

Ao nos falar da conexão dos pontos, Jobs diz que não há como prever o futuro, mas há, certamente, inúmeras possibilidades de perceber em nosso passado, na história que construímos dia após dia, elementos que farão diferença hoje e no futuro, como os cursos de caligrafia fizeram para suas empresas e toda a história dos computadores desde então…

Karma, destino ou vontade divina? Não dá para saber, o próprio Jobs afirma, mas que as relações entre o que fizemos e fazemos acabam oportunizando a conexão dos pontos em algum momento de nossas existências, isso é fato… Se vamos aproveitar ou não, depende de cada um de nós, pois a vida é nossa e não de outras pessoas, como nossos pais, cônjuges, filhos, amigos… Faça o melhor que puder de sua vida, para você e seus semelhantes!

Por João Luís de Almeida Machado

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