Stress

ImageParecia até sair fumaça da cabeça dela. E olhe que ela não estava naqueles dias, mas certamente era visível que a fúria havia tomado seu ser. Nestas situações eu sempre ficava pensando o que fazer? Na verdade o primeiro impulso era encontrar a porta de saída mais próxima e, discretamente, dar no pé… Depois, quando a situação estivesse um pouco mais tranquila, dissimuladamente, voltaria e diria que a natureza havia me chamado ou que recebera uma ligação urgente pelo celular…
 
Ao que, certamente ela diria, no caso da resposta sobre o celular: “Como, se nem ao menos ouvi seu telefone tocar?”
 
E eu lhe prontamente responderia que o aparelho estava em modo silencioso para abrandar. Se algum resquício ainda existisse daquele stress todo no ar, outras perguntas viriam, uma em cima da outra, para sufocar mesmo e, ao final, descobrir se a história que lhe contara era verdade ou não.
 
De qualquer modo, o mal do século não era privilégio dela. Era apenas mais uma vítima, tomada de súbito (ou nem tão de repente assim, já que este mal, sorrateiro, vai aos poucos nos condoendo). Como ela, vira amigos, colegas de trabalho, desconhecidos e familiares sucumbirem. Não escapava um. Os sintomas?
 
Fácil de responder… Começa com aquele cansaço que vai se acumulando dia após dia, com noites mal dormidas para tornar ainda pior as olheiras no dia seguinte. Acúmulo de trabalho também é fator de desequilíbrio. Quando as pessoas começam a sacrificar seu tempo livre para colocar o serviço em dia, sai de baixo… Passa também por dores no corpo – de cabeça, nas costas, nas pernas ou em qualquer outro lugar do organismo. 
 
De repente a docilidade e a amabilidade ou mesmo o respeito e a educação usuais são substituídas por respostas secas, monossilábicas… No lugar do cumprimento caloroso, um discreto movimento com a cabeça, que denota ainda, nas entrelinhas, o descontentamento de ter que retornar o seu “bom dia” ou “boa tarde”… Quase como a dizer: “Bom dia porque?”
 
Não há mais tempo para ninguém ou melhor dizendo, não há mesmo é disposição para dar a alguém, quem quer que seja, este necessário tempo, nem mesmo para si próprio. Quando percebo alguém estressado, a despeito da vontade de sumir do mapa, creio que é hora de fazer alguma coisa por ele ou ela. As vezes até mesmo eu, olhando no espelho, vejo que a expressão denota cansaço e que, pode ser que a próxima vítima esteja mirando seu reflexo…
 
Deixando o papo-furado de lado, amigo que é amigo, não abandona o barco nestas horas e aguenta até o mau-humor e a impaciência do chegado, não é mesmo? Mas até para os amigões parece haver limite… E quando a bomba estourar, para evitar complicações ainda maiores, como um afastamento por longo período ou mesmo permanente, talvez seja melhor dar um tempinho para que seu chapa “esfrie o radiador” e possa retomar o rumo da vida…
 
Stress é algo tão sem-noção, como dizem as novas gerações, que normalmente quem está a beira de um ataque de nervos acha que o problema são os outros e não percebe que é preciso pisar no freio, rever a vida, dar um tempo para si mesmo. Quem sabe se dar ao luxo daquele tão sonhado ano sabático… Ou pelo menos, alguns dias de relaxamento total…
 
De qualquer modo, quando penso nesse assunto, ou vivo alguma situação que demonstre alguém que gosto estar vivendo tal problema, percebo que somos/estamos nós mesmos, cada vez mais, nos oprimindo com nossa correria, cobranças, contas, necessidades que nos imputamos…
 
Falta-nos, por outro lado, mais tempo para o café tranquilo, daqueles que tomávamos a tarde, antes de sermos consumidos pela velocidade/voracidade deste 3º milênio. Sentimos também que aqueles passeios na praia ou na praça, as conversas com amigos encontrados por acaso na rua, a bola do final de semana, o cineminha casual ou mesmo aquele gostoso namoro de final de dia são igualmente ausências imperdoáveis em nossa agenda.
 
Por sinal, esqueçamos, pelo menos um pouco, as agendas e compromissos, e deixemos a vida nos levar, como diz o samba/pagode tão popular aqui por estas bandas. Quem sabe assim consigamos superar a panela de pressão que por vezes parece ser a nossa vida, tantas vezes a ponto de explodir em nossas crises de stress…
 
Por João Luís de Almeida Machado

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