Adolescência: A ponte entre a infância e o mundo adulto

ImageA adolescência é um novo parto na vida dos pais. Muitas são as pessoas que irão concordar com esta afirmação. As mudanças que ocorrem na vida das crianças que ingressam nesta nova etapa de suas vidas são grandes e, se considerarmos tudo o que se processa neste espaço de tempo de aproximadamente 5 ou 6 anos, entre os 12 ou 13 anos e o início da juventude, a entrada no mundo adulto, entre os 18 e 21 anos, tudo ocorre de forma muito acelerada.
Os pesquisadores especializados estão divulgando novos dados e informações acerca desta mudança e são bastante relevantes tais informações. Indicam, por exemplo, que na adolescência ainda não está definida por completo a capacidade de aprendizagem e crescimento dos adolescentes. Anteriormente se acreditava que a infância era a definidora destas possibilidades dos seres humanos e que nas etapas posteriores, inclusive na adolescência, o Quociente de Inteligência (QI), já estava consolidado.
As pesquisas realizadas nos Estados Unidos demonstram que pode ocorrer uma variação de 20 pontos no QI, para cima ou para baixo, durante a adolescência. O fator primordial para que isso aconteça ainda está sendo estudado, mas é possível afirmar que o nível de estimulação por parte da família, escola e demais instâncias de vida na qual circulam os adolescentes é fator decisivo para tal variação positiva ou negativa. Por estímulos devemos entender tanto aqueles de caráter educacional quanto os que se relacionam a moral, a cultura, a prática de atividades esportivas, ao conhecimento da natureza, ao relacionamento com outras pessoas, as viagens…
Na adolescência, de acordo com os pesquisadores, apesar de estarem se adequando fisiologicamente ao mundo adulto, deixando para trás a infância, os garotos e garotas de 13 a 17 anos ainda não conseguem fazer com que o racional prevaleça totalmente em suas ações, pensamentos e decisões. Seus movimentos ocorrem com maior ênfase a partir da amígdala, estrutura do cérebro mais relacionada ao processamento de emoções que, por conta disso, os orienta a ações que muitas vezes os levam a respostas que os adultos, maduros, dificilmente escolheriam.
Suas características cerebrais, adicionadas a explosão hormonal que lhes ocasionam mudanças corporais visíveis aos olhos de todos como o crescimento, os pelos no corpo, a mudança de voz, dão aos adolescentes igualmente uma forma de comportar-se que muito confunde os pais e demais adultos com os quais convivem.
São comuns as mudanças rápidas de humor, passando do dia mais ensolarado e belo para o mais chuvoso e tormentoso em questão de minutos. E como é válida esta comparação, quem tem adolescentes em casa sabe como os filhos mudam de comportamento numa rapidez compatível com a velocidade do som ou, por vezes, da luz.
A bagunça tradicional entre os adolescentes é outra anormalidade para os pais que é muito normal para esta faixa etária de acordo com os especialistas. Quartos de pernas para o ar, roupas jogadas pelo banheiro, sapatos perdidos embaixo das camas, material escolar “zoado” como dizem os próprios adolescentes… Tudo isso é parte daquilo que vivem os pais de adolescentes, em maior ou menor escala, entre os que tem filhos “comportados” e aqueles que contam com outros mais “rebeldes”.
Este é outro fator interessante a ser considerado… Todos os filhos adolescentes comportados são rebeldes de algum modo e vice-versa, ou seja, aqueles que parecem totalmente descabelados e desajuizados de algum modo contêm em seu cerne as bases do que seus pais consideram comportamento adequado. Se irão viver estas outras facetas ou não e em que intensidade são questões que só o tempo permitirá responder…
Na adolescência os pais perdem o trono e caem do pedestal para seus filhos. Não se iludam, a normalidade que imperava na infância, com aquele olhar para os progenitores como modelos ou mesmo heróis cai por terra e, em seu lugar, se estabelecem outras relações e interesses. Amigos e ídolos da música, cinema ou televisão (e mais recentemente da internet) se estabelecem como “maiorais” nesta nova etapa de vida dos garotos e garotas.
No lugar das fotos da família surgem posteres de conjuntos de rock ou de astros do mais recente e bem-sucedido filme teen. Não se decepcione, é muito normal acontecer isso e, você certamente também já viveu momentos assim com seus pais. O amor não morreu, é apenas hora de se auto-afirmar e deixar para trás a ideia de que de algum modo o adolescente é apenas uma nova versão de seus pais…
Ainda que verificadas tais circunstâncias tão próprias da adolescência, é preciso que os pais continuem muito perto de seus filhos, acompanhando-os e dando suporte, ainda que em determinados momentos surjam reações contrárias por parte deles quanto a este acompanhamento. São ainda pessoas em formação e que irão errar, falhar e, espera-se que com isso, aprender. Os pais não podem evitar tais erros e problemas, é parte natural da vivência dos adolescentes e de todos os seres humanos.
A volubilidade e instabilidade da adolescência faz com que eles mudem de ideia rapidamente e que possam ser muito influenciados pelos seus pares. A distância que há, nesta faixa etária, para as ilicitudes como as drogas ou o sexo sem proteção é muito curta. A gravidez precoce, o alcoolismo, o vício em tóxicos devastadores, as noites sem dormir, as reprovações na escola e tantas outras infelicidades e dramas da vida real estão logo ali se as famílias não estiverem por perto, acompanhando seus filhos.
E não se iluda, a probabilidade de drogas lícitas ou ilícitas serem consumidas pelo seu filho(a) é real, assim como o aflorar da sexualidade que, certamente, poderão ocorrer por falta de  informação, influência do grupo, pressões dos “amigos” ou mesmo por fatores como insegurança, depressão, necessidade de auto-afirmação.
O acompanhamento dos pais dá a eles o sentido de pertença, carinho, segurança e solidez que esta etapa da vida parece lhes tirar tantas vezes. Por mais que pareçam seguros, valentes, fortes e capazes de encarar tudo na vida, os adolescentes carecem da presença dos pais para que passem do casulo as asas, ingressando posteriormente na vida adulta, com condições plenas de vôo no que se refere a formação intelectual, física, moral e emocional.
É preciso lembrar também que você, na condição de pai ou mãe, pode ter uma relação de amizade com seus filhos, respeitando suas particularidades, espaço e preferências, mas sem deixar de lembrar que, acima de tudo, continua sendo pai ou mãe!
Aos filhos, em todas as fases de sua formação, devotamos acima de tudo o amor incondicional e, sendo assim, queremos o melhor para eles. Compreendê-los é um passo decisivo para que isso ocorra e isso passa, sem qualquer sombra de dúvida, pelo entendimento de cada fase da vida que estão a viver, como a adolescência. O  importante, no entanto, é sempre estar por perto e dar-lhes o máximo de orientação, sem cair em lições de moral a todo momento ou cobranças além daquilo que eles são capazes de fazer, para que depois possam voar com as asas que lhes foram concedidas, capazes de lhes permitir vôos seguros, consistentes e felizes…
Por João Luís de Almeida Machado

2 thoughts on “Adolescência: A ponte entre a infância e o mundo adulto

  1. Belo trabalho. Corresponde exatamente a passagem da infância à fase adulta, a vulgarmente chamada ” Aborrecência”, fase tão difícil não só para os adolescentes como para os pais. Parabéns pelo brilhante trabalho.

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