As pessoas é que fazem a diferença nos times vitoriosos

Image“Vinte anos depois de ser vice-campeão mundial e olímpico no papel de levantador reserva, Bernardinho, agora como técnico, levou o Brasil ao título nas Olimpíadas e no Campeonato Mundial. Fez de um time sem resultados expressivos nos últimos anos a seleção mais temida no mundo do vôlei. Transformou pessoas – uma especialidade sua. Criou uma geração segura de jogadores determinados, revigorou o ânimo de alguns outros e construiu uma equipe de assistentes a quem entregaria ouro em pó. Foi nesse refinado processo de garimpagem e lapidação que o Brasil viu surgir a preciosa carreira desse líder. Há muitas frases ditas por Bernardinho que merecem ser guardadas para reflexão. Algumas delas simples, outras complexas, mas todas com um conteúdo que resume, em pequenas doses de sabedoria, o segredo de tanto sucesso. A minha preferida é ‘No fim das contas, são as pessoas que fazem a diferença’. Considero essa frase um achado. Afinal as instituições não funcionam sozinhas, não se gerem por toque de mágica, nem os cargos têm vida própria. Equipes, empresas, corporações ou governos são o resultado do trabalho de um grupo de indivíduos. Nesse processo, é preciso encontrar o que houver de melhor em cada um deles para tornar sólida a instituição; faze-los entender que o esforço coletivo leva à vitória, mas o talento individual desorientado tende a fracassar. Assim descobrem-se as grandes vocações e aperfeiçoam-se as virtudes.” (João Pedro Paes Leme, na introdução do livro “Transformando Suor em Ouro”, de Bernardinho)
 
O vôlei, como os esportes coletivos em geral, sintetiza a vida em comunidade. Grandes equipes surgem. Times medíocres também passam pelas quadras. O que os diferencia? Se pensarmos em termos técnicos poderíamos dizer que treinamentos, equipamentos, investimentos, instalações, participações em campeonatos, experiência dos treinadores, qualidade individual dos atletas, entre outros fatores, fazem com que alguns cheguem ao topo do Monte Olimpo e ganhem as medalhas de ouro, prata ou bronze e outros apenas peregrinem pelas quadras e campos, passando pelo purgatório ou, em alguns casos, vivendo sempre pelos confins do inferno…
Quando assistimos partidas de vôlei na televisão ou nos estádios percebemos que esforço e dedicação são elementos que fazem parte tanto daqueles que vencem quanto dos que saem perdedores numa peleja. O suor escorre pelo corpo dos atletas. Seja com equipes masculinas ou femininas, o brilho das luzes aparece em seus rostos, realçados pelo líquido que brota de seus corpos atléticos.
Se pararmos então para refletir, porque há, então, aqueles que parecem sempre destinados a vencer? Em competições de alto nível – sejam os campeonatos nacionais, mundiais ou olímpicos – as equipes envolvidas parecem contar sempre com a melhor das estruturas de apoio para que possam até mesmo participar – se classificando em jogos eliminatórios e provando sua superioridade em partidas sempre duríssimas.
O que ocasiona o surgimento de esquadrões tão vitoriosos como o do Brasil de Bernardinho, a Itália de algum tempo atrás, os Estados Unidos da década de 1990 ou a União Soviética que imperou durante os anos 1980? Se os fatores gerais são relativamente equilibrados, o que ocasiona o predomínio de uns sobre os demais durante certos períodos de tempo?
Nesse sentido a frase de Bernardinho na introdução de seu livro “Transformando suor em ouro” (Editora Sextante), destacada no prefácio pelas mãos do jornalista João Pedro Paes Leme, em que se ressalta que são as pessoas que fazem a diferença tem total pertinência. E o raciocínio fica ainda mais completo quanto se percebe que essa diversidade de talentos somente ganha escopo e força a partir do momento em que todos unem suas competências em prol de objetivos comuns, conforme podemos ver nas equipes treinadas com qualidade inquestionável por Bernardo Rocha Resende, esse obstinado e vitoriosíssimo treinador brasileiro.
Não adianta nada termos dez jogadores do porte de Pelé, Michael Jordan ou Giba – apenas para citarmos alguns expoentes de esportes coletivos – se eles não estiverem motivados, conscientes de seu papel dentro de um grupo, irmanados pelo espírito guerreiro de uma equipe que quer a todo o custo obter vitórias e atingir seus objetivos.
Ter craques pode ser um grande diferencial apenas se você souber fazer com que eles passem a bola para seus companheiros e não se interessem em se promover em detrimento do grupo fazendo firulas que aparecem com destaque na mídia, mas que nada produzem para o esforço coletivo…
Liderar talentos e obter dos mesmos o melhor rendimento dentro de um grupo de trabalho, seja no vôlei ou numa empresa, aconteça isso numa equipe de futebol ou numa escola, ocorre quando a qualidade individual é adicionada à disciplina, ao espírito fraterno, a disposição para o esforço máximo tanto nos treinos quanto nas partidas, a humildade e, principalmente, ao respeito e valorização das diferenças que, conjuntamente, formam equipes realmente vencedoras.
Obs. Num país como o nosso, onde se valoriza apenas o lugar mais alto no pódio, muitas vezes uma medalha de bronze, um sétimo lugar ou mesmo uma classificação entre os 20 ou 30 melhores numa prova de atletismo da elite mundial é pouco considerada, divulgada e reconhecida. Estar num evento mundial ou olímpico é pertencer a Meca do esporte mundial. Investimentos estatais ou privados em nosso país ainda não atingem todos os atletas e modalidades e, para alguns desses esportistas, ir aos Jogos Olímpicos ou a Campeonatos Mundiais é, por si, um grande feito. Esses homens e mulheres valem ouro também.
 
Por João Luís de Almeida Machado

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