Matrix e a revolução que já começou…

the_matrix-11347

A nova revolução está em curso. Vivemos a Era da Informação. O Mundo Virtual se estabeleceu. Começar qualquer texto utilizando as três frases que iniciam este artigo, nos dias de hoje, não surpreende ninguém, não é mesmo? Afinal de contas, a revolução da Era de Informação, que estabeleceu entre nós o Mundo Virtual, e as bases digitais sobre as quais neste exato momento nos vinculamos (ou nos linkamos, em terminologia mais próxima desta realidade ciber-virtual-digital) não constitui mais mistério, surpresa ou mesmo medo a ninguém.

Superamos as barreiras, estamos já integrados pela web e certamente não há via de retorno. Quem consegue imaginar qualquer retrocesso que nos leve ao início dos anos 1980 ou 1990, quando não tínhamos acesso as redes, a informação total (ou quase), ao resto do mundo em apenas alguns cliques no mouse (que naquela época nada mais era que a tradução para o inglês da palavra rato) ou ainda quando éramos basicamente reais e, apenas na fantasia de filmes de ficção, virtuais…

Estabeleceram-se, desde então, matrizes sobre as quais apoiamos praticamente todas as nossas ações virtuais e para as quais transferimos muitas das práticas do mundo real (serviços, educação, pesquisa, lazer, política…). Softwares, navegadores, buscadores, redes sociais, blogs, chats, e-mails e tantas outras plataformas, ferramentas e funcionalidades foram sendo criadas, adaptadas, melhoradas continuamente, transformadas em plug and play (da expressão inglesa que significa ligue e use) para que a cada novo dia milhões de pessoas fossem se integrando as redes virtuais de relacionamento (pessoal, profissional, social).

E a revolução chegou, aparentemente mansa, e em termos práticos, muito rápida e rasteira… Como balas disparadas de um revólver, naqueles filmes de faroeste, em que os mocinhos e os bandidos duelam, com o sol a pino, a fazer-lhes suar, naqueles poucos segundos em que tem que concentrar-se para o tiro definitivo, que pode ser o da redenção ou o da danação, da vida ou da morte… De repente estamos todos por aqui, nesta rede que hoje já movimenta bilhões de pessoas e dólares, diariamente, e em relação a qual não conseguimos imaginar outro futuro senão aquele na qual cada vez mais estaremos entrando de cabeça, literalmente, nestas matrizes e em suas derivativas versões atualizadas, melhoradas e cada vez mais inteligentes…

É, logo teremos redes inteligentes demais, na realidade elas já estão por aqui… Captam seus dados a cada digitação que você insere na web… Descobre para que time torce, qual tipo de livro gosta de ler (e se gosta), que músicas prefere ouvir, se é homo ou hétero, se curte política, que religião faz sua cabeça, como se alimenta, por onde anda, qual o seu saldo bancário, quem são suas relações (família, amigos, colegas)… Você insere fotos e filmes, gravações em áudio e textos, currículo e pensamentos de toda natureza (íntimos, de trabalho, de suas relações familiares) e nem ao menos se dá conta que tudo isto alimenta a rede a cada novo segundo, fazendo com que ela seja capaz de entender como você pensa, de que forma ganha o pão de cada dia, para onde vão as gotas de suor de seu corpo, quem você ama, que tipo de sangue jorra em suas veias…

Pois é, Matrix, de 1999, filme de Andy e Larry Wachowsky, que abre trilogia que depois teve filmes digeríveis (Matrix Reloaded e Matrix Revolutions) mas nem um pouco saborosos, um tanto quanto pasteurizados quando comparados com esta obra-prima do cinema de ficção, já sinaliza os caminhos do mundo pelo qual a humanidade irá passar num futuro muito mais próximo do que se imagina…

E que mundo é este? É todo virtual, onde somos (literalmente) as pilhas que alimentam sistemas digitais. Nossos seres reais são dormentes e residem em cápsulas amnióticas que reproduzem a segurança do útero materno e, controladas por sistemas inteligentes, nos “nutrem” com alimentos e informações para que o calor e a energia de nossos corpos mantenham seu funcionamento e tornem mais perfeitas suas funcionalidades e possibilidades…

Será que já não somos todos dormentes e que, sedados, alimentamos um gigantesco sistema que nos ludibria e faz crer que ainda existe uma realidade na qual aparentemente estamos vivendo nossas vidas? Só por este questionamento, que nos remonta a filósofos, escritores e sábios de diferentes naturezas e origens já é possível perceber que Matrix nasceu clássico e que, será por muito tempo uma poderosa referência da modernidade tecno em que hoje (e amanhã, e depois…) estamos vivendo (será?)…

Mais do que um filme, Matrix é um convite a reflexão, diverte e provoca, estimula os sentidos e quer nos fazer retirar os chips que já estão sendo incorporados aos nossos corpos… Imperdível! Para ser reprisado muitas vezes!

Por João Luís de Almeida Machado

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s