Como será a escola do futuro?

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Como serão as aulas do futuro? Semipresenciais? Síncronas? Online? Socráticas? Com o uso de simuladores? Haverá um pouco de tudo. Mas o mais importante é que o formato do conteúdo e a sua metodologia pedagógica serão adaptados às preferências de aprendizado de cada aluno. Algumas escolas mais modernas já começam a estabelecer grupos de discussão para debater sobre como deverá ocorrer a troca de conhecimento entre professores e alunos com a adoção das novas tecnologias educativas que invadirão nossos lares e escolas nos próximos anos. Que conteúdo será lecionado em que formato? Para quais tipos de matéria vale a pena usar um tablet? Quais matérias serão mais bem compreendidas se aprendidas através de um videogame? Isso tudo estará na mesa do educador consciente. Pesquisas demonstram que, até o ano de 1990, os adultos norte-americanos conseguiam concentrar-se por até 18 minutos em uma pessoa falando ininterruptamente. Entre 1990 e o ano 2000, este tempo caiu para aproximadamente 12 minutos e atualmente esta tolerância encontra-se em apenas 8 minutos. Na média, a partir deste oitavo minuto, a audiência começa a verificar seus celulares e computadores (inclusive para procurar mais informações sobre o que está sendo exposto). Desconheço quais serão os tempos de tolerância de crianças e adolescentes. [Os Formatos e as metodologias do futuro. Artigo publicado no Blog A Educação no Século 21, do jornal O Estado de São Paulo]

8 minutos equivalem a 480 segundos.

Em 8 minutos, se mantivesse o ritmo de uma corrida de 100 metros disputada em recentes Olimpíadas, de aproximadamente 10 segundos, totalizando 600 metros em 1 minuto, um corredor profissional conseguiria correr o equivalente a 4800 metros, ou seja, quase atingindo incríveis 5 quilômetros neste período de tempo.

8 minutos não seriam suficientes para ouvir a canção “Faroeste Caboclo”, de Renato Russo. Neste mesmo tempo, no entanto, seria possível servir aproximadamente 40 refeições fast food, num estabelecimento com 5 caixas e tempo médio de venda do produto calculado em 60 segundos.

8 minutos é tempo suficiente para conferir todas as manchetes de um jornal e também de olhar todos os destaques da homepage de um portal de notícias. Calcula-se que em 7 minutos um casal consegue chegar ao clímax sexual, restando portando ainda um minuto para que relaxem ou acendam cigarros, como nos filmes de Hollywood e atinjam a marca de 8 minutos.

O premiado e conhecido curta-metragem brasileiro “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, tem aproximadamente 10 minutos. Descontando-se créditos iniciais e finais, creio que seria possível ver o conteúdo em 8 minutos.

Quantas notícias são transmitidas em um telejornal em 8 minutos? Já contou? Ainda não? Se levarmos em conta que um bloco de notícias dure aproximadamente 4 minutos (é um pouco mais, na média de 5 a 8 minutos, variando de emissora para emissora) e que, nestes blocos temos 30 segundos para apresentar uma notícia… Em 2 blocos, completando 8 minutos, teríamos 16 notícias apresentadas… Conseguimos nos lembrar de todas?

A informação pela internet viaja em segundos, de um lado para o outro do mundo. A mágica da tecnologia nos permite acompanhar revoluções, guerras, descobertas científicas, conquistas esportivas, realizações artísticas, mudanças políticas, crises econômicas e tantos outros assuntos em pouquíssimo tempo. Em 8 minutos, por exemplo, é possível, ao mesmo tempo, pela web, ouvir música, assistir trechos de vídeos, ler notícias, conferir infográficos e tabelas, visitar um museu virtual…

E com 8 minutos na escola… O que podemos fazer de fato?

Este é o tempo que as pesquisas nos apontam como aquele que temos, numa sala de aula, de concentração real, de adultos. Imaginem então como fica para crianças e adolescentes…

O que fazer?

Repensar a escola. Repensar as aulas. Repensar os currículos. Repensar o profissional da educação. Repensar os instrumentos e metodologias.

Entender os novos tempos. Entender os novos alunos. Entender as tecnologias e seu espaço na sala de aula.

Que recursos usar? Como utilizar as tecnologias? Qual o papel do professor? Como deve ser equacionada uma aula nestes novos tempos? O que devemos ensinar? Qual o papel da escola?

Vamos então por passos, acho que talvez fique um pouco mais fácil, mas sem respostas prontas, apenas pontuando o que precisamos rever para compor novos quadros, mais desafiadores, interessantes, estimulantes, participativos, colaborativos, tecnológicos, socráticos…

1- Educação… O que é isso?

2- O que é escola? (Ou o que era? Como é? Como será? Como deverá ser?)

3- Quem é o professor? (Ontem, hoje e amanhã?)

4- Quem é o aluno? (Ontem, hoje e amanhã?)

5- O que ensinamos? O que devemos ensinar? Ensinamos de fato?

6- Que recursos temos, tínhamos e teremos? Como eles nos ajudam, tanto os de ontem quanto os de hoje e os de amanhã?

7- A escola no mundo… Como anda?

8- A escola no Brasil… A quantas anda?

9- Qual o seu sonho de escola?

10- Quais são as escolas (no Brasil e no mundo) que estão na vanguarda?

Creio que com estas perguntas podemos começar a responder as perguntas e criar um cenário, um quadro, um projeto (ou vários) e uma ideia de educação, escola, futuro…

Por João Luís de Almeida Machado

4 thoughts on “Como será a escola do futuro?

  1. Pois é, João, mais uma vez me ponho a pensar no dilema que hoje temos sobre o ensinar. Tantos recursos, tantos jeitos… no entanto, vemos a grande dificuldade dos colegas de profissão acordarem para o fato de que a escola que nos formou não cabe mais aquele que queremos formar. Parece-me até que nossos adolescentes saem do Ensino Médio com necessidades não supridas pela escola e alguns deles entram na Pedagogia para escquecer dessas necessidades. Fazem uma lavagem cerebral por lá e voltam para a escola. Sabe os 4800 metros em 8 segundo? São transformados em horas, porque os passos são muito lentos dentro das nossas escolas. Mas vamos caminhando… Sempre. Um grande abraço

  2. Prezados João e Solange….
    Fico com a impressão que estamos dentro de uma bolha e com medo de furá-la. Muitos receios, muita ponderações, muitas observações, ….e falta um empurrão. O letramento digital dos professores me parece talvez o primeiro passo para diminuir esses medos e receios. Somos iletrados com a utilização dos softwares e aplicativos e ainda mais com os hardwares novos cada vez mais amigáveis, cada vez mais acessíveis mas que não são utilizados em todo o seu potencial. Participo dessas discussões em seminários, eventos educacionais em todo o Brasil, em alguns lugares no exterior e a discussão é sempre a mesma. Como fazer os professores envolverem-se de fato nesta nova fase de desenvolvimento da humanidade.
    Ataide

  3. Joao, quero parabenizar a voce pelas reflexoes e pensamentos lancados a favor do futuro do ensino. Nao atuo diretamente na area de educacao, mas entretanto, considero o tema de extrema importancia relevancia a todos nos, independente da posicisao que estejamos sentados. Parabens e abs., jneto.

  4. Excelentes reflexões!
    Concordo com Ataíde Alves sobre o letramento dos professores, mas também, sou a favor da humanização do homem como forma de melhorar a Educação.
    Forte abraço.

    Silvia Segatto

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