Brasil em ebulição nas ruas: Pauta de reivindicações

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O que está em pauta com as reivindicações no Brasil?

Tudo começou com o aumento das passagens de ônibus. Esta questão está, momentaneamente, sendo solucionada, com os governos municipais diminuindo o valor das tarifas e retornando os preços para o que era pago antes das mobilizações. Resolveu? Não completamente pois é preciso compreender os cálculos que originam os valores cobrados no transporte público brasileiro, tanto quanto aos ônibus quanto em relação a trens metropolitanos e metrô. As medidas podem ser apenas paliativas e, após algumas semanas ou meses, aos poucos, aumentos gradativos podem surgir, na surdina, sem gerar tanto alarde, para recompor os valores aos padrões dos aumentos combatidos pela massa.

Numa passagem de ônibus ou metrô é preciso discernir o que é custo real (salários de funcionários, custos de manutenção dos veículos, gastos com combustíveis, despesas administrativas…), quais e quantos impostos incidem nestas cobranças, o peso destas taxas nos valores cobrados, dinheiro público colocado como subsídio aos custos destes transportes e qual é o lucro obtido pelas empresas que atuam no setor. Há ainda que se buscar valores que não fazem parte das planilhas e que alimentam o Caixa 2, o propinoduto, a corrupção no país, paga por empresários desonestos que agem no segmento e que “pagam” por fora para ganharem licitações e comandarem o segmento em cidades brasileiras…

Os governantes têm alertado para o fato de que o corte nos custos do transporte público podem incidir em outros segmentos, com verbas de segmentos como habitação, segurança, educação ou saúde, por exemplo, sendo deslocadas para cobrir os custos do ônibus, do metrô ou dos trens metropolitanos. Isso foge, certamente, das reivindicações e ocasiona outros problemas já que atinge segmentos essenciais. O cobertor curto quando puxado para cima descobre os pés e não é isso o que se busca…

A massa nas ruas percebeu que a questão não se restringe ao detonador do movimento, no caso aos aumentos das tarifas de ônibus. Sendo assim, fica claro que a questão é estrutural e relaciona-se a política, economia e, com isso, ao funcionamento dos poderes estabelecidos, as leis do país, aos impostos, ao planejamento das ações públicas, aos orçamentos de estados e municípios…

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Somente no dia 20 de junho de 2013 foram mais de 1,2 milhões de pessoas mobilizadas em todas as regiões e em mais de 100 municípios do país a se mobilizar. Infelizmente em cidades como Rio de Janeiro, Belém, Campinas, Porto Alegre e Salvador a violência aconteceu. Grupos minoritários promoveram atos de vandalismo e causaram destruição de patrimônio público e privado, além de ocasionar choques e embates com a polícia.

Por outro lado, a maioria esmagadora das pessoas quer apenas externar, de forma pacífica, seu descontentamento em relação a política partidária, a corrupção, a inflação, a impunidade, os gastos com a Copa e outras temáticas. Jovens e famílias vão para as ruas com camisas verdes e amarelas, tendo seus rostos pintados com as cores da bandeira do Brasil, rechaçando bandeiras e cores de partidos políticos e sindicatos.

Além das tarifas do transporte público, querem um Brasil melhor, o que, na prática, significa, ao se organizar uma pauta de reivindicações, medidas como:

1- O combate sistemático a corrupção;

2- O fim da impunidade e a punição a políticos já condenados pela justiça;

3- Esclarecimentos do governo quanto aos gastos com as obras da Copa (Quanto custou? Quais eram os gastos previstos? Porque os valores excederam o que inicialmente havia sido orçado? Qual é o planejamento das próximas ações?)

4- A não aprovação da PEC-37;

5- Medidas efetivas para diminuir os custos tributários brasileiros;

6- Ações efetivas por parte das autoridades para diminuir a inflação no país;

7- Plano de crescimento econômico que gere empregos e riqueza no país;

8- Melhoria dos serviços públicos essenciais em todas as áreas, com especial destaque a áreas como educação, cultura, segurança e transporte público.

Como os partidos não representam os brasileiros e isso está ecoando nas ruas, seja pelo fato dos brasileiros rejeitarem bandeiras partidárias nas mobilizações, quanto pelas próprias mobilizações, que em si carregam todo o descontentamento por anos seguidos de projetos políticos que se alternam no poder sem realmente efetivar as transformações necessárias e desejadas por um país melhor, é preciso definir e agir de forma coordenada e coerente quanto a pauta de reivindicações que ecoa nas ruas. É hora de se organizar, de evitar as divisões, de repudiar os radicalismos, de definir as demandas e, com isso, de mudar o Brasil, por um futuro mais justo, ético e promissor para todos.

Por João Luís de Almeida Machado

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