#A_Maior_Arquibancada_do_Brasil

manifestantes em Brasilia

A música do Rappa, hino da Copa das Confederações de 2014 no Brasil, utilizado como música de propaganda de automóveis na TV (momentaneamente retirado do ar em virtude da apropriação pelos manifestantes que estão nas ruas das cidades brasileiras na luta contra o aumento das tarifas de ônibus e outros motivos), chama as pessoas “pra rua” e entoa que é aí, no espaço público, de convivência, encontro (casual ou não), que está “a maior arquibancada do Brasil”.

O ritmo alegre contagia, as pessoas cantam unidas e, a esta letra, que se apresenta em cartazes e nas redes sociais, junta-se também o hino nacional, em trechos que informam que o “o povo heróico” e seu “brado retumbante” estão se fazendo ouvir, ou então em manifestações legítimas pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e tantas outras capitais, movimento que se repete em cidades do interior, de grande, médio ou pequeno porte, se fazem presentes e fortes em alto e bom som e tom para o mundo.

Em São Paulo já se contabilizam mais de 130 mil pessoas que foram as ruas.

No Rio de Janeiro, no ápice do movimento, foram cerca de 100 mil pessoas em manifestação pacífica e, para a tristeza de todos aqueles que pregavam mudanças sem baderna, cerca de 300 a 500 vândalos a causar estragos. Entre 0,3 e 0,5% do total de participantes promoveram ataques a Assembléia Legislativa do Rio, atearam fogo em veículos, queimaram mobília e atacaram a polícia em atos totalmente reprovados pela multidão que por lá estava a mobilizar-se contra a alta das tarifas do transporte público, a corrupção, a impunidade, a PEC-37, os gastos abusivos com os estádios da Copa…

O raciocínio da população é simples e não se restringe ao aumento da tarifa de ônibus, estopim da mobilização, o governo revelou gastos de 28 bilhões de reais com as obras da Copa, valor 10% superior ao que estava previsto, isso até o presente momento, sem que todos os estádios estejam concluídos e, pior, sem que investimentos em infra-estrutura básica nas áreas de transportes, comunicação, hotelaria e outros segmentos tenham sido devidamente realizados.

O que seria possível fazer se este investimento fosse realizado de forma planejada, lícita, ética e prezando os interesses populares. E se os gastos não tivessem acontecido. Teríamos, pelo menos, mais 2,8 bilhões de reais para investir em educação, saúde, habitação, saneamento, transporte público, cultura… Será que os gastos foram estes mesmos? O montante a mais foi de apenas 10%? Onde estão as estradas, melhorias em aeroportos e portos previstos no projeto da Copa? Seria possível rastrear estes investimentos? E se tudo fosse realmente colocado na ponta do lápis, a conta fecharia? Quanto custa cada saco de cimento utilizado para a reforma ou construção dos estádios? Para quem a Copa está sendo um grande negócio?

E a Copa é apenas um item entre todos aqueles que vem a público com as manifestações…

A PEC-37, outro tópico em destaque nas manifestações populares, em caso de aprovação, retira do Ministério Público (entre outros órgãos do judiciário) a premissa da investigação e apuração de crimes cometidos por qualquer cidadão brasileiro. Tais ações investigativas seriam prerrogativa das polícias (Federal, Civil e Militar). Tendo em vista que estes órgãos do judiciário, em especial o Ministério Público, no Brasil de hoje estão investigando casos como o do Mensalão, o que se antevê são mais brechas e oportunidades para que a impunidade seja ainda maior no país.

“A maior arquibancada do Brasil” sabe também que o custo de vida é alto e que a inflação real não condiz com os índices achatados apresentados pelo governo. O que se comprava ontem com o salário não é mais possível adquirir no final do mês, o poder de compra está sendo aos poucos esmagado e, se para políticos e poderosos isso não faz diferença, para quem ganha salário mínimo ou faz parte da classe média que paga altos impostos, certamente que faz…

Num país onde os impostos representam, em média, 35% dos ganhos da população, é comum dizer que o governo é sócio do cidadão e também dos empresários que investem e geram riqueza, empregos, exportações… E o pior de tudo é que a arrecadação governamental aumenta, como informa o impostômetro a cada ano que passa, sem que os serviços públicos de primeira necessidade, nas áreas da saúde, transporte público, educação, cultura, saneamento, segurança, lazer e demais áreas, sejam melhorados.

A Classe Média, segmento que mais é taxado e paga impostos no país (proporcionalmente), e outros segmentos sociais, nesse sentido, muitas vezes acabam pagando duas vezes por estes serviços que o governo deveria prover com qualidade, tendo em vista o quanto arrecada. Coloca os filhos na escola particular, paga planos de saúde, investe em segurança privada, tem altos gastos com transporte privado…

O movimento já entrou para a história do Brasil. Não é partidário de nenhum grupamento. Não tem filiação qualquer. Está inclusive sendo bastante claro neste sentido quando bandeiras de algumas agremiações políticas tentam se infiltrar nas passeatas. Ninguém se sente representado por qualquer um dos partidos existentes. As manifestações demonstram insatisfação e repudiam os políticos, a corrupção, as negociatas, os conchavos, os favorecimentos, as fraudes e maracutaias que acontecem, vem a tona e não são punidas… Alguns partidos estão tentando se apropriar do momento, da situação, do movimento das massas, no entanto, a bandeira que está nas mãos do povo que circula nas ruas é a do Brasil, da decência, da justiça, da ética, da cidadania. As pessoas estão se mobilizando pela moralização do país, por mais emprego, por educação de qualidade, por transporte público em preço justo e com bons serviços, por hospitais que prestem atendimento qualificado…

Por João Luís de Almeida Machado

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