O Manifesto dos 20 Centavos

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Não são apenas os 20 centavos que mobilizam milhares de pessoas às ruas de São Paulo e outras capitais brasileiras.

Não serão apenas as metrópoles do Brasil a ganhar jovens e simpatizantes em manifestação livre contra os tais 20 centavos a mais cobrados na tarifa do transporte público paulistano.

Há mais causas e pessoas nesta história. Há tantos outros brasileiros indignados que irão participar desta marcha presencial.

A insatisfação tem um estopim, que é o custo da tarifa do ônibus. Além deste rastilho de pólvora os motivos são variados mas conduzem para uma mesma constatação, o Brasil precisa melhorar.

A começar pela inflação, que ronda novamente todos os brasileiros, a ameaçar a estabilidade financeira conseguida a duras penas desde os anos 1990. Ninguém quer conviver com o dragão, com os remarcadores de preços, com o salário sendo consumido rapidamente e se esvaindo antes do mês terminar.

Há também a estagnação econômica, que paralisa lentamente o país, ceifa as oportunidades de trabalho, alija do mercado a nova mão de obra que está a frente das manifestações, a perceber que seu futuro está sendo comprometido agora.

Manifestam-se estas pessoas contra as obras da Copa. O evento está custando caro aos cofres brasileiros, demanda recursos públicos para a construção de arenas esportivas particulares ou estatais sem que se saiba ao certo se o retorno virá. O brasileiro continua a amar o futebol, seus clubes e a Seleção, mas a consciência que os leva a reclamar é a de quem se sente lesado pois sabe que a conta no final será paga pelo povo.

Acima de tudo, as pessoas estão nas ruas porque perceberam que os partidos e governantes não as representam como deveriam. Prevalece o interesse dos políticos, de seus grupelhos, de empresários inescrupulosos que zelam somente por seus negócios e agem de forma a promover o espólio do bem público ao promover a corrupção, o superfaturamento de obras e outros desmandos.

A corrupção e o abuso de poder são igualmente parte dos motivos que levam todas estas pessoas as ruas. Talvez sejam as causas maiores dos problemas do Brasil. Endêmicas, não são estancadas a décadas, desde que o Brasil se firmou no cenário internacional como país independente para ser mais objetivo, portanto, há quase 2 séculos…

Quem cobra propina rouba diretamente do bolso de cada cidadão brasileiro. Desvia o dinheiro duramente obtido pelo suor do rosto de milhões de pessoas, de assalariados a empreendedores honestos que buscam honrar seus compromissos e promover o crescimento.

Os jovens nas ruas bradam também, ainda que de forma silenciosa e inconsciente, tímida ou incipiente, contra a impunidade. Num país onde se julga mas não se pune como conter a violência que assola as ruas, promove perdas, gera mortes?

A internet permitiu a livre manifestação, mas até ela tem elementos de controle e monitoramento, ao mesmo tempo em que não ecoa, de fato, o que estes jovens todos querem fazer o Brasil escutar, por isso eles foram as ruas.

A violência, a depredação e qualquer ato de vandalismo, porém, não se justificam, mesmo quando embalados pelas causas mais dignas e justas. Infelizmente, por vezes, quando somente as palavras e as manifestações civilizadas não se fazem ouvir, quando a repressão procura silenciar e atira bombas de “efeito moral” ou ainda quando as autoridades se isolam em seus gabinetes e não participam, o que acontecem são ações desmedidas que extrapolam pela força.  As  manifestações são legítimas desde que não sejam embaladas pela violência, pela depredação ou pelo quebra-quebra. Vieram, pelo jeito, para ficar, pelo menos durante algum tempo, enquanto o que de fato se espera, venha a ser feito… E o que se espera? O que deve ser feito?

A resposta é o justo, o correto, o digno, o investimento por um país em que males como a corrupção, a impunidade, a falta de representatividade e outros males sejam aos poucos extirpados. Um Brasil onde educação, saúde, emprego, segurança, proteção ao meio ambiente, cultura, saneamento e habitação sejam realidade sem custos exorbitantes, sem caixa dois ou propinas. Uma nação em que o futuro das próximas gerações seja garantido pelas ações justas, coesas, éticas e cidadãs de todos os brasileiros que hoje estão na ativa.

Por João Luís de Almeida Machado

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