A Economia Verde e o futuro que queremos

MEIO AMBIENTE

O mundo busca alternativas sustentáveis que lhe permita respirar ao mesmo tempo em que oferece oportunidades de trabalho para seus mais de 7 bilhões de habitantes. Passados 20 anos da Conferência Rio 92 e transcorridos mais 10 anos da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu na África do Sul, em 2002, nova reunião internacional promovida pela Organização das Nações Unidas foi realizada no Brasil em 2012.

Esta nova conferência, que aconteceu no mês de junho, também no Rio de Janeiro, teve dois focos principais, a saber: a economia verde e o maior comprometimento quanto a políticas sustentáveis por parte dos governos e da própria ONU, traduzidos em ações concretas.

A partir do documento “O futuro que queremos” (Veja o vídeo a seguir) que constitui uma carta de intenções e compromissos assumidos pelos países signatários representados na Rio+20, foram reiterados compromissos assumidos em encontros anteriores, constataram-se os avanços percebidos desde o início dos anos 1990 até o presente momento e destacaram-se as dificuldades que continuam a existir.

Agenda 21, criada no primeiro encontro em solo brasileiro, no ano de 1992, lançava as bases do que veio a ser chamado de Desenvolvimento Sustentável. Esta premissa destaca a necessidade de conseguirmos prover o crescimento econômico sem que com isso se agrida o meio-ambiente (tentando corrigir erros e problemas surgidos anteriormente) e, ao mesmo tempo, trabalhando no sentido de buscar maior justiça social.

A Agenda 21 significa, na prática, que para suprir as demandas crescentes da população humana (que deve atingir 9 bilhões de habitantes até 2050) é preciso criar empregos, dividir de forma mais justa a renda obtida a partir do trabalho, permitir maior dignidade na vida de todas as pessoas, combatendo-se a pobreza e, ao mesmo tempo, agindo de forma a recuperar o meio-ambiente degradado e evitando que novas ações causem impactos negativos ao planeta.

No que se refere ao combate à pobreza e a uma melhor divisão da riqueza obtida com o trabalho humano, ações de complemento de renda desenvolvidas por países como o Brasil, tem resultado na ascensão socioeconômica de considerável contingente de pessoas para a classe média.

Por outro lado, a questão ambiental, a partir de situações como a não adesão dos Estados Unidos ao Protocolo de Kioto (durante o governo de George W. Bush), documento surgido no final dos anos 1990 e que teve adesão gradual dos demais países, representou um empecilho considerável a um maior avanço quanto à proteção do solo, do ar, da água, das florestas e dos demais ecossistemas que compõem o planeta.

O embate entre o interesse econômico, a difícil equação entre progresso e proteção ambiental, os custos relativos à criação de novas vagas de trabalho associadas à especulação, a busca desenfreada pelo lucro, a migração do capital e as pressões das grandes corporações sobre governos e população acabam tornando muito difícil realizar todos os compromissos assumidos anteriormente.

Houve avanços, mas não foram suficientes para garantir que o planeta passasse a ser gerido dentro de prerrogativas sustentáveis. A economia verde, terminologia mais recente, que procura agregar ações de defesa do meio-ambiente aos compromissos políticos nacionais relacionados à criação de novas frentes de trabalho, num mundo em crise econômica desde 2008, renova a terminologia sem que, com isso, adicione grandes novidades ao discurso e as práticas já desenvolvidas.

Reiteraram-se compromissos públicos, em escala global, a partir das Nações Unidas, ratificados por todos os signatários, com os Estados Unidos sob a gestão de Barack Obama tendendo a agir de forma mais favorável ao que é consenso entre os demais países.

Há, ainda, no entanto, uma distância muito grande entre o que precisa e o que efetivamente está sendo feito. O carbono emitido pelos automóveis, fábricas e queimadas nas grandes florestas, resultado principalmente da utilização do petróleo como principal combustível, ainda que o uso dos biocombustíveis tenha crescido de forma exponencial na última década, é uma amostra das dificuldades e mudanças a serem realizadas.

A ocupação para fins produtivos de grandes faixas de terras em áreas de cobertura vegetal nativa, com a destruição das matas e florestas (na primeira década do século XXI o desmatamento atingiu 130 mil km²) e o extermínio de espécies típicas destes espaços (correm risco cerca de 35% dos invertebrados, 28% dos répteis, 21% dos mamíferos e 12% das aves), desordenada como tem sido feita, em especial nos países mais pobres, como no continente africano, contribui para a emissão de gases em virtude das queimadas e dá continuidade ao efeito estufa e ao aquecimento global.

Os oceanos também estão sofrendo com a busca cada vez mais acentuada de suas matérias-primas pelo homem, em especial no que se refere à pesca. Hoje é preciso gastar 5 vezes mais recursos para se obter a mesma quantidade de pescado que era conseguida há 40 anos atrás. Isto afeta, principalmente, os países africanos que tem nesta atividade econômica entre suas principais matrizes econômicas. O desgaste do solo, por sua vez, atinge cerca de ¼ das terras do planeta.

De qualquer modo, ainda assim é possível ver avanços, como por exemplo, a crescente introdução das fontes de energia alternativas e ecologicamente corretas, como a solar e a eólica, assim como a já mencionada ampliação do uso dos chamados biocombustíveis.

O desmatamento, que ainda é considerável, tendo a média anual de 13 mil km², diminuiu 18% ao longo da última década. É menor este índice do que o necessário e o esperado, mas já constitui um ganho para o meio-ambiente.

Países como a Suíça, Noruega, Costa Rica, Letônia e Áustria, que fazem parte da lista dos mais verdes, adotam medidas como o reflorestamento de áreas desmatadas com espécies nativas, incentivos fiscais para a aquisição de veículos e equipamentos que gastem menos energia, criação de artifícios legais que estimulem e demandem práticas sustentáveis na economia, criação de metas de médio prazo para diminuir a índices mínimos ou mesmo zerar a emissão de carbono, estímulo ao uso de bicicletas e construção de ciclovias, criação de áreas de proteção ambiental, programas de reciclagem do lixo em escala cada vez mais ampla…

Os custos relacionados a todo este desgaste e destruição do meio-ambiente equivalem, segundo dados internacionais, a 10% daquilo que a natureza proporciona à humanidade. Trata-se de um preço altíssimo que a ONU e todos os mais de 150 países participantes estarão discutindo na Rio+20 e que, espera-se, resultem num documento final que não apenas comprometa a todas as nações quanto às suas diretrizes mas que, principalmente, signifique em termos práticos as mudanças que o planeta e toda a vida nele existente precisam muito.

Saiba mais sobre: Economia Verde – Metas e Ações em prol da redução do Efeito Estufa até 2050 na Europa e no Mundo

(Fonte: http://unstats.un.org/unsd/green_economy/korea/presentations/Walter_Radermacher_Korea_July2011_final.pdf)

Metas Europeias de redução do efeito estufa até 2050

– 25% até 2020

– 40% até 2030

– 60% até 2040

– 80 a 95% até 2050

Planos para reduzir:

– Modificação nos modelos de produção de energia: Casas passam a produzir energia que consomem; Geração de energia elétrica sem utilização de queima de carbono; criação de sistemas de transporte com menor consumo e queima de recursos/energia.

– Projetos e ações continuadas de proteção ambiental visando principalmente a defesa da biodiversidade, água, minerais estratégicos, reaproveitamento/reciclagem de recusos, pesca.

– Adoção de projetos em escala mundial.

– Criação de políticas ambientais e valores de proteção do meio ambiente.

– Mudanças estruturais nos modelos de comércio e produção econômica para padrões sustentáveis.

– Estímulo ao turismo que não gere ou minimize a geração de resíduos em nível internacional.

– Educação ambiental nas escolas desde o ensino básico.

Por João Luís de Almeida Machado

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