A física e a química do amor em prosa e verso

ImagePorque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova

Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora

 (Porque eu sei que é amor,

Letra e música de Paulo Miklos e Sérgio Brito/Titãs)

Há o encontro, os olhares, aquela sensação de insegurança, a vontade de se aproximar, de trocar as primeiras palavras, de impressionar ele ou ela de alguma forma… São os primeiros sinais, as evidências iniciais de que algo diferente está acontecendo.

Fisicamente falando o amor se revela através de sintomas como palpitações mais aceleradas, rostos enrubescidos, sensação de leveza, por vezes alguma cacofonia (as palavras parecem não querer sair da boca, especialmente no começo de uma relação) e desconexão do mundo, como se somente o ser amado existisse e nada mais.

A  intensidade do sentimento leva a uma ativação química dentro do organismo, há certamente a ativação da adrenalina e outros hormônios que ocasionam as batidas rápidas do coração já mencionadas, aceleram a circulação sanguínea e parecem dar mais força aos que se amam, tornando-os aparentemente invencíveis e imortais.

Tudo parece mais intenso no início, quando os primeiros abraços e beijos são muitos e a troca de carícias ou o desejo incontidos. Paquera evolui para namoro. A sensação de que é preciso mais tempo e presença, troca e constância, se consolida e o casal passa a querer mais, buscando consolidar a relação, torná-la oficial (ou não) perante amigos e família.

O encantamento passa para uma nova fase, a das descobertas daquilo que o outro é, de suas características, tanto as melhores qualidades quanto os pequenos defeitos. Mas o amor é tão sublime e superior como sentimento que aos olhos de quem ama o que se busca e se concretiza não é a crítica ao parceiro, mas a tentativa de fazer com que ele ou ela superem suas evidentes dificuldades ou deficiências.

A maturação do amor se estabelece quimicamente com o surgimento de etapas no relacionamento em que continuam abraços e beijos, não na mesma intensidade do início, mas em compensação se estabelece um diálogo que vai além das palavras e configura-se também através de olhares, de gestos, de toques, misturando a física ao que ocorre dentro do organismo e fazendo valer a cumplicidade sem igual percebida já não mais a olho nu ou com auxílio de microscópios, apenas pela lente dos poetas, dos músicos e dos loucos.

Passa o tempo e a sensação é a de que sem ele ou ela não dá para seguir. Vem o casamento e com esta união, oficial ou não, com papel passado ou diante de Deus, o cotidiano do relacionamento, que consolidado no amor, se baseia sempre na premissa de que há alguém ao seu lado, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na vida pública ou na intimidade do casal.

Perpetua-se o romance com o surgimento dos filhos, fruto supremo do amor que se fez carne, na busca de um pelo outro, no cheiro que exalam, nos corpos que se pedem e se acham, nas semelhanças e diferenças que unem. É puro sentimento e, ao mesmo tempo, há toda uma biologia por trás de tudo isso, que física e quimicamente se compõem para que amanhã venham os bebês e com eles a sensação de que o amor é supremo e definidor da existência.

Não há homem ou mulher que possa viver sem amor. É o que verdadeiramente nos caracteriza como seres humanos. É o que nos diferencia, o que nos torna frágeis e ao mesmo tempo fortes. Quem vive sem amor, sem a experiência física e química consolidada de hormônios e transformações ocasionadas por este sentimento, se é que há alguém a assim existir, não é deste mundo, desta natureza, da humanidade.

Os anos passam e o amor prossegue rumo ao infinito enquanto dure a vida, a existência. A chama só se apaga quando o corpo perece, consumido pelo tempo e, ainda assim, mesmo com o apagar das luzes, permanece o sentimento supremo na memória de quem viveu, conheceu e experimentou a partilha, a troca, a intimidade, o encontro, os abraços, os beijos, os olhares, as dificuldades e as alegrias tão próprias e únicas de um amor verdadeiro, em prosa e verso.

Obs. Estas palavras são para todos que, como eu, acreditam no amor e já encontraram (ou irão encontrar) sua cara metade, alguém que faz a vida valer cada minuto. Todo o meu amor para ela, minha esposa e companheira, Sheila.

Por João Luís de Almeida Machado

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