Até 2017 o Brasil atingirá a marca de um computador por habitante

brasil computador

Você tem um computador? Imagine que hoje, no Brasil, já temos mais de 110 milhões de computadores. Isso equivale a dizer que há uma máquina para cada duas pessoas. Isso mesmo, a revolução da informática já aconteceu e estamos vivendo num universo no qual elas são praticamente onipresentes. Você vai ao supermercado e lá estão elas. Nos bancos, hoje, há mais máquinas que funcionários. No campo, a produção agrícola é gerenciada a partir de modernos softwares que permitem aos criadores prever as safras, o clima, as cotações internacionais…

Vá ao aeroporto, passe pela rodoviária, dê uma volta pelas ruas de sua cidade e conclua, o universo tecnologizado tomou conta de tudo e de todos. Se não bastassem todos estes 110 milhões de computadores, aos quais, somente neste ano estarão se adicionando mais uns 18 milhões de equipamentos vendidos, há ainda tablets, smartphones e outras maquinas…

Sendo a perspectiva de venda para o ano na casa dos 18 milhões de computadores (entre desktops, notebooks, netbooks e congêneres), note que são vendidos em média 1,5 milhões de equipamentos por mês. Se fizermos o cálculo com base em 30 dias por mês, chegamos à impressionante quantidade de 50 mil computadores vendidos por dia! Estes números, divulgados em 2012 pelos meios de comunicação fazem parte de pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Os especialistas neste mercado dizem que o Brasil está acima da média mundial quanto a computadores, telefones e televisores. A quantidade de telefones no país já faz com que os brasileiros estejam muito próximos dos americanos (Há mais de um aparelho por habitante no país, portanto já foi superada a barreira dos 200 milhões de celulares vendidos no Brasil).

Tecnologias representam a ideia de progresso no imaginário coletivo, ou seja, com tantos equipamentos a informação se faz mais presente, permite ao cidadão maior participação e conhecimento de causa, fazendo com que ele seja mais altivo, politizado, engajado. Aumenta-se a consciência coletiva, com mais ações em prol de causas justas e nobres como a defesa do meio-ambiente, a luta contra a corrupção, benfeitorias em favor de idosos ou crianças carentes, adequações e facilidades para as pessoas com deficiências, educação de qualidade ou saúde com bom atendimento para toda a população, por exemplo.

A disseminação dos computadores e de outras tecnologias deveria reverter nas escolas no surgimento de novas e mais eficientes metodologias de ensino ou ainda em trabalhos escolares que exijam aprofundamento e mais pesquisa, leitura e produção escrita por parte dos alunos. A diversificação de mídias e recursos provenientes das tecnologias de informação e comunicação, ainda no âmbito das escolas, poderia e deveria significar mais ações que gerem publicação dos alunos, seja de textos ou de outras realizações, como vídeos, podcasts, imagens digitais, entre outras.

Que alunos, professores, profissionais de outras áreas e cidadãos brasileiros aderiram aos computadores e suas possibilidades isso é fato. Os brasileiros fazem parte, desde o surgimento das principais redes sociais no mundo, do grupo de 10 países que mais usam plataformas como o Facebook, o Twitter, o Flickr, o Orkut… Mas, efetivamente, o quanto deste uso reverte em favor do crescimento pessoal, profissional e, em escala mais ampla, de empresas, causas sociais, serviços públicos e da própria nação?

A questão mais premente é justamente esta, ou seja, o que significa para o Brasil ser um dos países em que há mais computadores por habitante? Como isso reverte para a economia? De que modo tantos equipamentos disponíveis se tornam vetores de trabalho, produtividade ou mesmo de aspectos aparentemente subjetivos mais igualmente importantes como felicidade, solidariedade, paz e amor entre as pessoas?

Que os computadores e suas redes constituem recurso importante e que de alguns anos para cá e para frente farão ainda mais diferença na vida de cada um e de todos os cidadãos do Brasil e do mundo não há dúvidas. O uso dos equipamentos pode e deve, no entanto, reverter em benefícios maiores. Não basta ter computadores, internet rápida, telefonia 3G e/ou 4G, fibra ótica e tecnologias afins cada vez melhores se não as percebermos e as utilizarmos pelo progresso econômico, social, político e cultural.

As escolas, por exemplo, que deveriam ser o ponto de partida para a utilização mais inteligente e focada destes recursos ainda são espaços nos quais o potencial destes recursos não é explorado como deveria. Utilizam-se ainda, de forma mais frequente, aulas transpostas para slides, em formato PowerPoint, ou abrem-se artigos ou vídeos em sites para visualização pelos alunos em aula. Outro expediente regular é pedir pesquisas no Google e em outros buscadores, ou ainda que se explorem verbetes trazidos na Wikipedia. É muito pouco perto do que potencialmente pode ser feito. Para tanto é preciso estudo e planejamento aprofundados quanto as ferramentas, redes, canais, plataformas e demais recursos disponíveis.

Os cursos de pedagogia e licenciatura precisam ter em sua grade, obrigatoriamente, disciplinas introdutórias ao uso dos computadores e, em especial, matérias em que o uso pedagógico do recurso seja estudado, incentivado, planejado e executado da melhor forma possível. Há, nas universidades brasileiras, como a PUC-SP e a Unicamp (entre outras), núcleos de excelência, na graduação e, principalmente, na pós-graduação (mestrado e doutorado) projetos em estudo e desenvolvimento que propõe e realizam a ponte entre todas estas tecnologias e a sala de aula. Pautam-se na leitura, estudo e contextualização para a realidade brasileira daquilo que de mais importante e prestigioso está sendo desenvolvido nas mais importantes universidades e centros de pesquisa mundiais, na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e em outros centros avançados no setor.

Pensar em milhões de computadores, espalhados pelos quatro cantos do país, em residências e empresas, sem que o melhor uso deles esteja sendo articulado a partir das escolas para atingir o setor produtivo, a governabilidade do país, as ações sociais, a cultura e todos os demais segmentos de ação humana nos faz constatar que ter tantas máquinas sem que seu uso reverta de fato em prol de todos é um grande desperdício, de tempo e de dinheiro…

Por João Luís de Almeida Machado

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