Conheça melhor o ENEM

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ENEM é a sigla criada pelo ministério da educação para referir-se ao Exame Nacional do Ensino Médio. Este exame existe no Brasil desde 1998 e, inicialmente, tinha como foco a avaliação da qualidade da educação no Ensino Médio do país. Desde 2009, o ENEM além de ser utilizado para avaliar o ensino médio brasileiro também passou a ser instrumento de avaliação de acesso às universidades públicas e privadas brasileiras.

De acordo com os dados relativos ao ENEM 2012, já se contabilizam mais de 5 milhões e 700 mil estudantes inscritos para participar neste processo seletivo, e o número cresce a cada ano (em 1998 foram somente 115.575 participantes), assim como a quantidade de instituições de ensino superior públicas e privadas que aderem a esta iniciativa governamental.

Mensurar ou medir a educação brasileira quanto ao seu Ensino Médio foi, portanto, o objetivo inicial do governo quando criou o ENEM. Perceber como funcionava, quais as qualidades, que defeitos ou problemas existem, as disparidades regionais, os resultados por municípios e também a avaliação de cidades, que têm níveis de aproveitamento tão díspares, norteou os primeiros passos do ENEM.

Em 2013, ao completar 15 anos de ENEM, faz-se necessário avaliar os resultados obtidos desde a introdução desta iniciativa na educação nacional e como repercutiu nacionalmente enquanto política de estado.

Os dados são coletados anualmente e, em relação aos resultados auferidos, é preciso articular políticas de estado que se mostrem mais efetivas na busca de uma educação de melhor qualidade no país.

O que existe de concreto quanto às mudanças promovidas na educação nacional desde a aplicação dos primeiros exames, do final da década de 1990 até o presente ano de 2012, pode ser apreciado a partir dos dados apresentados a seguir:

– A evolução dos índices de aproveitamento dos estudantes do Ensino Médio brasileiro observadas a partir do ENEM acontece de forma lenta, gradual. O que se percebe é que os alunos conseguem utilizar os saberes aprendidos nas escolas para resolver problemas mas que, quando o nível de complexidade aumenta as dificuldades aparecem.

– As provas do ENEM são inclusivas, atendendo à crescente quantidade de alunos que, por pertencerem a famílias de baixa renda, obtêm o benefício de isenção das taxas de inscrição.

– O aumento expressivo de universidades públicas e privadas que passaram a utilizar o ENEM como elemento de avaliação para o ingresso de estudantes é notável. O surgimento do ProUni (Programa Universidade para Todos) e o surgimento do Novo ENEM, em 2009, já prevendo que instituições de ensino superior públicas teriam que usar os resultados do ENEM para o ingresso de estudantes, foram muito importantes para que mais universidades entrassem neste grupo. Em 2010, já eram mais de 500 as instituições de ensino que adotaram o ENEM em complemento aos vestibulares ou mesmo substituindo-o.

– A quantidade de alunos, ano após ano, que passou a realizar a prova do ENEM, dos pouco mais de 115 mil de 1998 até os 5 milhões e 700 mil de 2012, exige que o Ministério da Educação crie uma logística para a aplicação do exame que seja impecável. Infelizmente, tendo em vista o tamanho do desafio, ocorreram problemas, como erros de impressão nas provas em 2010 e o vazamento de informações em 2011.

– O ENEM representou gastos da ordem de 375 milhões de reais para INEP, órgão do MEC responsável pelo exame, somente na edição de 2011. Nesse mesmo ano, foram aplicadas provas em 1.600 municípios brasileiros (nas edições de 2009 e 2010 as provas foram aplicadas em 1.800 cidades do país).

– A região Sudeste, mais populosa do país, é aquela que conta com o maior número de inscritos no ENEM todos os anos. EM 2011, por exemplo, foram quase 2 milhões os inscritos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A região Norte, que conta com a menor população do Brasil, teve mais de 550 mil inscritos para o ENEM 2011.

– O ano de 2005, em que foi criado o ProUni, marcou o crescimento mais expressivo nas inscrições para o ENEM, com mais de 3 milhões de alunos se dispondo a participar, o dobro da edição de 2004, quando foram registrados 1,5 milhão de inscrições.

– A quantidade de alunos que não comparece aos exames do ENEM é ainda um desafio a ser vencido pelos organizadores. Para se ter uma ideia, no exame de 2011, dos mais de 5,3 milhões de inscritos, realizaram a avaliação 3,85 milhões, ou seja, quase 2 milhões de ausentes.

– Para realocar os alunos para instituições de ensino superior públicas foi criado o SISU (Sistema de Seleção Unificada). Nesse sistema, as universidades que aderem totalmente ao ENEM indicam quantas vagas têm disponíveis por curso e qual o peso que as áreas do conhecimento têm em relação a cada curso (por exemplo, para os cursos de engenharia, as questões de Ciências Exatas tem peso maior; para medicina, pesam mais as questões de Ciências da Natureza). O aluno que prestou o ENEM precisa então se inscrever no site do SISU. O sistema calcula o peso das questões levando em consideração as áreas de interesse dos alunos e as instituições conveniadas. Tendo a nota já em mãos, o aluno pode escolher a instituição em que pretende estudar.

– O ENEM é uma prova diferente dos vestibulares tradicionais pois, além de conteúdos, busca avaliar competências e habilidades dos estudantes. É preciso, portanto, pensar criticamente, tendo capacidade de relacionar dados, resolver problemas usando saberes de diferentes áreas do conhecimento ao mesmo tempo, argumentar com clareza e precisão, dominar diferentes linguagens, compreender fenômenos de diferentes áreas científicas (naturais, sociais, artísticas, matemáticas…) e elaborar propostas que solucionem os quebra-cabeças que surgem por meio das questões.

De qualquer modo, analisando-se um pouco da história do ENEM, que é ainda bastante recente, o que se conclui é que, a despeito dos problemas e dificuldades, este exame veio para ficar e, com sua métrica diferenciada e modelo de avaliação mais complexo e exigente, já está ajudando a educação nacional. Seus resultados indicam caminhos que estão sendo pensados e repensados pelas autoridades públicas responsáveis pela educação no país e também pelos próprios gestores e educadores, na lida diária com seus alunos, a buscar melhores encaminhamentos e soluções para o ensino médio em suas escolas.

O aperfeiçoamento do ENEM em suas próximas edições, o que tem se verificado ano após ano, deve contribuir de forma mais sistemática para que o objetivo maior, relacionado a qualidade da educação no país, se efetive de fato.

Por João Luís de Almeida Machado

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