Twitter perde usuários

TwitterPerder aproximadamente 3,7 milhões de acessos por mês causa ou não preocupação? Há um ano, ou seja, em julho de 2011, o Twitter, uma das principais redes sociais do planeta, tinha cerca de 12,9 milhões de acessos únicos. O mesmo mês de julho, em 2012, um ano depois, fez com que o Twitter amargasse a queda para 9,7 milhões de acessos, de acordo com os dados da ComScore, divulgados na semana passada.

Por trás dos números e para melhor entendê-los é preciso primeiro compreender a ferramenta, o cenário atual das redes sociais no mundo e no Brasil e, principalmente, perceber o que o país significa para as empresas de tecnologia (e de todos os setores) para a economia global nos dias de hoje.

Redes sociais são elementos de comunicação e interação largamente utilizados em suas versões digitais ou virtuais criadas após o surgimento da internet comercial, por volta da metade da década de 1990.

O surgimento de redes sociais, no entanto, é tão antigo quanto a própria humanidade e está relacionado igualmente aos interesses comuns que unem as pessoas e que as fazem unir-se em clubes, partidos políticos, organizações sociais, empresas e, antes disso, em famílias, clãs e comunidades estruturadas.

A internet fez com que se potencializassem as comunicações e a troca de informações através dos computadores, permitindo que pessoas que vivem em diferentes e distantes localidades, utilizando-se de plataformas como os blogs (primeiras ferramentas de redes sociais, surgidas em 1999), o Facebook, o Linkedin ou o Twitter (entre outros) se reunissem e interagissem através do mundo virtual.

Hoje é possível unir por estas redes pessoas que estudaram ou trabalharam juntas em algum momento de suas vidas, familiares distantes há muito tempo, representantes de ideologias políticas que atuam em diferentes nações, profissionais de uma mesma área de atuação, pessoas ligadas a empresas que tem sedes em várias nações, gente que compartilha um mesmo hobby ou interesse…

A distância, o tempo e até mesmo as diferentes línguas estão sendo superadas através destas ferramentas. O Twitter se notabilizou ao longo dos últimos anos como sendo uma experiência particular, depois copiada em sua essência por outras empresas ou acoplada a diferentes redes sociais como adendo, por permitir e estimular comunicação rápida, baseada na digitação de somente 140 caracteres.

Sua base operacional simples e despojada, através da qual o usuário é estimulado a falar o que quiser ou apenas descrever o que está fazendo arregimentou rapidamente milhões de usuários no mundo inteiro e também no Brasil. O país se tornou o segundo maior usuário mundial do Twitter, atrás apenas dos criadores da ferramenta, os americanos. Enquanto os EUA respondem por 27% dos tweets mundiais, o Brasil está logo atrás com 23% do tráfego mundial de envios de mensagens por esta rede social. Para se ter uma noção da importância da participação dos brasileiros, vale lembrar que em 3° lugar está a Indonésia, com 11% dos tweets mundiais, de acordo com os dados da World of Tweets.

Brasil e EUA respondem, portanto, por 50% do movimento mundial do Twitter. Perder usuários numa destas redes já devidamente estruturadas significa, portanto, prejuízo considerável.

Mas, porque o Twitter perdeu tantos usuários no país?

Como já foi mencionado, outras redes sociais como o próprio Facebook, passaram a oferecer ferramentas equivalentes ao serviço de mensagens rápidas do Twitter e, além desta facilidade traziam também outras ferramentas – de vídeo, áudio, notícias, comunicação instantânea, imagens – que foram fazendo com que o Twitter perdesse parte de seu público.

Outra questão quanto à queda brusca de uso do Twitter no Brasil refere-se ao fato de que, em média, cada usuário no país tem cerca de 5 seguidores. É como pregar no deserto, ou seja, sem público, sem audiência, as pessoas se sentem desestimuladas a enviar novas mensagens. Os seguidores constituem o motivo principal pelo qual as pessoas participam das redes sociais e, em outras redes, como o Facebook, é mais fácil e rápido ampliar o público com o qual o participante interage.

A principal característica do Twitter, ou seja, o fato de que se limitam os caracteres a 140, também desestimula os brasileiros, povo que gosta de se comunicar, de contar o que se passa em suas vidas em detalhes. É claro que isso não dá para mudar, mas a princípio é empecilho para o aumento na quantidade de usuários no Brasil.

Há também o fato de que o Twitter foi tomado pelas empresas e por pessoas interessadas em divulgar seu trabalho e produção. Virou, de certo modo, monólogo o canal de comunicação que deveria ser interativo, participativo, vivo e capaz de mobilizar as pessoas a ler, ver vídeos, trocar dados e informações. Há muita publicidade e pouco diálogo.

É certo que a formação de redes específicas, com as pessoas elegendo tópicos e trabalhando temas de interesse, trocando informações rápidas através do Twitter, é uma funcionalidade de grande utilidade para muitas pessoas, empresas, instituições e até mesmo para governos.

Mas até mesmo isso está sendo trabalhado com a criação de redes sociais específicas voltadas para segmentos como educação, ciência, política, questões sociais, cultura, saúde, compras e outras questões de interesse público. O Linkedin, por exemplo, permite ao usuário criar sua página destinada a trabalhar seu perfil perante o mundo do trabalho, conectando-o a empresas e pessoas que podem lhe ajudar a crescer profissionalmente.

O fato de não facilitar o envio de imagens ou vídeos, o que está sendo trabalhado e incorporado como facilidade no Twitter, também distancia os usuários, sempre em busca de ferramentas que sejam de utilização rápida e de navegação sem grandes complicações. É possível enviar imagens associadas aos textos, mas isso não é tão fácil de fazer para o usuário que pouco navega na ferramenta ou que está se aventurando pela primeira vez por lá…

O envio de vídeos, por sua vez, ainda não é possível, restando a possibilidade de mandar links para que os seguidores saibam destas produções e possam acessá-las. No Facebook e em outras redes sociais é possível agregar imagens e vídeos às mensagens.

De qualquer modo, o Twitter, ferramenta que tem como símbolo um passarinho azul e que tem este nome em função do “piar” dos pássaros, que apesar de rápido é melódico e é o modo de comunicação destes animais, passa por um momento complicado no Brasil, seu segundo maior mercado e precisa, certamente, rever seus planos para o futuro breve tanto por aqui quanto em outros países.

Sua utilização como ferramenta educacional ou cultural, por exemplo, precisa ser melhor estudada e utilizada. Tutoriais e a adição de novas ferramentas que permitam o envio de vídeos e imagens com maior facilidade também precisam ser pensadas. A criação de comunidades específicas, apesar de já existir, pouco agrega à experiência do usuário e precisa ser melhorada. Além disso, o visual da plataforma, apesar de já ter sido redesenhado, necessita de reformulação que revolucione desde já sua utilização e estimule mais e mais pessoas a aderir. Talvez até mesmo a questão dos 140 caracteres precise ser repensada para que se criem opções de uso por país, de acordo com suas bases culturais, como por exemplo no Brasil oferecendo-se opções com 160, 180 ou mesmo 210 caracteres…

Talvez assim tenhamos o Twitter retomando seus altos acessos em breve em terras brasileiras…

Por João Luís de Almeida Machado

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